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Bohemian Rhapsody

Ainda não tinha assistido, mas a mim não me pareceu um filme, nem um documentário, nem uma biografia. Também não me parceu uma história contada com os tão conhecidos: início, meio e fim. Chegou em mim como uma emoção desfigurada, um amor contido até a exaustão, uma greve da alegria mesmo com milhões no bolso. Trata da vida de um jovem homem que conhece outros dois jovens homens e calha de ser no dia exato de se conhecerem e dá tão certo que se tornam a Banda Queen. No meio e na superfície e onde mais haja espaço na "narrativa" baseada em fatos reais sobre Fred Mercury e os Queen, existem outras narrativas. Há a narrativa da família e de toda a intimidade que uma família, toda família, qualquer família deveria ter uns com os outros (como seria normal acontecer nas famílias). Há a narrativa da busca por uma família que entenda (e até aceite) as perfeições imperfeitas que pode acontecer de existir em qualquer criatura humana. Há a fragilidade dos corações das pessoas mais am...

versos feridos

quantos corações a dor consome? (solineide)

De discursos frios e comidas quentes (Canções para Flora voltando)

Gosto de ouvir sua voz, de ouvir seu violão, gosto de olhar suas mãos magras, veias, unhas, palmas, tintas. Gosto de não ser escutada, e repetir mil vezes a mesma palavra. Daí você pergunta pela milésima vez: "O que você disse mãe"? "Esqueci"... Sempre esqueci (ço) o que ia dizer pra você. Porque, talvez, nunca tenha sido enfática. Meu discurso sempre frouxo, fraco, fino (de tísico). Fino de fraco, falho, fosco. Nunca consegui um discurso cheio, embasado, psicanalítico, sociocrítico, empostado... Gosto de quando cozinha panqueca, pipoca, bolo, massa. Gosto muito de quando faz misto quente diferente. Minha comida sempre a mesma, sem sal, sem peso, sem assinatura. A sua sempre cheia de identidade. Saudade. Saudade. Saudade. (Solineide Maria - para minha filha Flora maria - Do livro, na gaveta, Canções para Flora voltando - Luanda, 28/04/19)

Eleição 2018 (no Brasil)

No dia seguinte todo mundo acordou em um de Abril de 1964 . (Solineide Maria - Luanda, 28/04/2019)

De madrugada (Canções para Flora voltando)

Aqui sozinha acompanhada de lembranças, mãos tão pequenas, pele suave e uma estrela no sorriso. Uma lua nos olhos minguante... De onde você veio? Silêncio. Espelho pra nada esquece e aquece o seio, amamenta e acorda... Dorme, esgota a possibilidade de entendimento. Ressona, acorda sonolenta. De onde você é? Pra onde a gente vai? Escreve, rasga, joga fora. Você é tão bonita, descansa. (Luanda, 28/04/19 - para minha filha Flora. Solineide Maria)

Dois sonhos e um pesadelo

Tive um sonho estranho maluco feito agenda que a gente escreve e não cumpre. Sonhei que era assim tipo uma aprendiz de  bruxaria e que um lobo me via e queria me pegar. A ideia que me dava era a de flutuar. Tomei um líquido lá feito assim meio às pressas e tomei de um gole só. Realmente flutuava, era uma espécie de levitação forçada. O lobo não desistia, saltava alto e rosnava, até cuspia de bravo. Foi quando dei um impulso naquela levitação e caí num morro alto, uma espécie de montanha. Caí em cheio num tronco desses de cortarem lenha. Suspirei aliviada, mas não deu para um descanso. Um homem viu aquela cena, eu surgindo assim, do nada, certamente estranhou. Pensando que era uma espécie de bruxa, fantasma ou danação, endereçou o machado ao meu peito. Num gesto desesperado botei as mãos na cabeça e chamei por  Deus, Nosso Senhor, Anjos, Santos, Arcanjos. Chamei por São Bento, São Tomé, Roguei pelos Irmãos da Luz, tudo isso nu...

CANÇÕES PARA FLORA VOLTANDO

você virá. vai chegar com pele de bebê lisa e fina. mãos de lira e uma lua no cabelo. uma estrela nos pés olhos fechados. você vai abrir os olhos quando me vir e quando eu olhar para você vou fechar as feridas. o coração será curado o seu, ampliado de paz de amor, de mais coração. você vai sorrir um sorriso que nunca houve ainda não sei explicar esse sorriso assim, com palavras. nem sem palavras, e nem cem palavras. minha alegria? não sei descrever, sopraram-me que, talvez, mas isso é talvez, talvez sucumba de tanto contentamento. dessa hora em diante serei toda semente, aprendiz da felicidade eterna. você virá! Para Flora Maria (minha filha) 27/04/2019