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Livrai-me meu Deus de mim!

Na santa paz de Deus quero vestir a roupa de dormir e sonhar com meu marido jovem e feliz. Sonhar é uma possibilidade: então, vamos a ela, preciso se faz. Ontem ele me bateu até sangrar. Não acreditei quando me olhei no espelho, um olho roxo e um dente frouxo. Como pode? Solucei. Como pode uma mulher formada, Psicologia Social ... Mãe de dois homens casados, boa filha, carro na garagem, alunos na escola me esperando e essas marcas na cara? Como pode meu Deus? Não tenho força de para com isso, e o que é isso afinal? Que tipo de doença, já que não se sabe ao certo o que nos faz ficar com homens assim. Medo? Medo eu tenho de alma, de fantasma, de terremoto e de vulcão. Mas isso? Responde meu Deus! Não me deixe esse silêncio incorreto e solitário como única testemunha disso que nem sei nomear... Arranca de mim esse, esse, esse o quê? Essa? Não pode ser medo, não deve ser medo, porque lembro que na infância, tinha medo de lesma. Mas aí, depois, descobri que era fobia. A fobia paralisa . É ...

Sobre ALI LONGE NO MAR - Livro desta humilde poeta, prestes a ser publicado pela Editora Scortecci!

O mar sempre ali e nós longe Longe lá aqui. Longe perto. Nunca mais a janela aberta. Nunca mais a porta aberta. Perdemos as chaves de tudo e Nunca mais. O mar sempre ali e nós. Onde é que se perde a esperança de um reencontro? Mas nenhuma perda é para sempre e todo mar está Ali, mesmo que seja longe. Solineide Maria - hoje de 2010

Um breve comentário

Meus Caros e Caras! ando muito inquieta (novidade). Tenho me embriagado em Pessoa, o Fernando Pessoa e, quero, humildemente solicitar que LEIAM Fernando Pessoa , para o desassossego ampliar e resgatar a indignação, que nunca deve ser desamparada de nossas almas incautas! Sejam PESSOA e discutam com ele e resmunguem com ele e avaliem a vida com ele... O poema Guardadora de mim, que publiquei hoje, é uma singela homenagem que faço a este poeta perefeito. Hoje o poema é para ele e para vocês , evidentemente. Apenas quis comentar a inquietude frutífera que essa pessoa , Fernando Pessoa, me causa. Um grande abraço poético! Solineide Maria de Oliveira hoje 2010.

GUARDADORA DE MIM

Eu não quero ser poeta. Quero saber ser sozinha. Às vezes não. Às vezes quero estar acompanhada. Talvez, por saber intimamente, Que verso nenhum me salvará de mim. Eu não quero ser poeta. Quero andar por aí e saber dar conta de mim. Ver o sol e apenas ver o sol. Não quero sentir nada, além de frio e calor. Sede, talvez. Ser poeta é o mesmo que arder num labirinto de paz. Eu não quero. Quero ir para a praia e ver as nuvens, Apenas ver as nuvens e tomar banho na água salgada E voltar para casa. Não quero ter o dom de ouvir silêncios. Não quero. Quero ser simples feito um cisco, Uma erva que brota no meio da relva. Feito tudo o que é simples. Não quero saber de atalhos também, Não quero. Não faz bem. Quero a leveza de não ter à mão, nenhum cajado. Não quero ser poeta e me ver recortada. As idéias borbulhando sem teto e sem chão, Num mundo que escorrega no abismo das mentiras. Não quero compreender de flor e de amor, E de tristeza e de solidão, E de paz e de amplitude nenhuma. Nem quero fi...

Padaria II

A perplexidade não é de nada não paga a conta do açougue, nem enfeita a janela, onde a roseira murchou. Dane-se a vizinha que não entende, que não quer ver, que não percebe que o lixo dela pode descer e entupir a boca de lobo. A perplexidade só dá mais trabalho pra gente viver... Solineide Maria - ontem 2010

PADARIA

Não sou nada não quero ser nada. Se um dia chegar a ser eu mesma já está muito bom. Solineide Maria de Oliveira - hoje 2010.

Faz uma música pra mim

Faz uma música pra mim. Assim, serena, assim lisinha Feito quando você me amava. Se apaixonou. Faz assim, assado preu comer Um peito aberto de paz Preu deitar de vez Faz eu amanhecer... me faz... Faz uma música poética Para dizer que não me quer mais Que não me deseja mais Que não nada... Faz comigo coisa à beça Ouvindo essa música, e atravessa Minhas bobagens vazias. Atravessa meu medo, minha ironia. Faz uma música pra mim. Depois põe preu ouvir Deitada no teu peito Cheio de paz. Faz uma só, que seja... Uma vez você me disse: − Gosto de você, fica mais... Só por isso faça esse favor. Para dar inspiração Lembre daquele tempo bom Tanta ingenuidade, Tanta juventude... tanto afeto. Esquece que crescemos Senão não sai essa canção Senão não surge a vontade De letra, verso, arranjo... Por favor. Pelo amor de Deus! Faz uma balada pra mim. Preu dormir ouvindo E acreditando que vou lhe encontrar Me encontrar. Que vamos nos encontrar. Faz? De Solineide Maria de Oliveira - Para 1986