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CAFÉ COM JESUS.

Sentei com minha xícara de café em punho, como se portasse um prêmio. Mas é um prêmio; quantos podem fazer isso? De repente não estava mais com a vibração anterior, no momento que vi a fumaça chamejar em meu nariz. Pedi para minha amiga tocar uma música do Caetano, mas ela não me obedeceu e pôs a tocar a música As Bem Aventuranças de Tim e Vanessa. Pensei em repetir o pedido, mas percebi que não foi à toa a música que se pôs a tocar falava do Mestre. Fiquei a ouvir a canção e não contive minha emoção. Deus cuida muito de mim (pensei em voz alta): ELE viu que estava precisando de filosofia espiritual, ELE percebeu que estava mesmo era precisando de palavras que não passam. Essas palavras, apenas Mestres como o Nazareno tem para oferecer. A música transcorreu e banhou minha alma com o refrigério da serenidade que precisava. Que tipo de Sal sou eu? Que tipo de Luz é a minha? Sou Bem Aventurado? Sou aventureiro? Depois veio a outra canção, tão necessária quanto a anteri...

Cartas de Amor para o meu coração. (Solineide Maria)

  Luanda, 08 de Abril de 2021. A chuva sempre me leva para a casa aonde estão meus dias. Um pretexto para botar em uso todos os baldes e bacias e panelas e tachos, nas pingueiras da casa: salas, quartos e cozinha. Para os pequenos era festa, brincadeira, diversão. para minha mãe era perda nos minutos do seu tempo precioso. Lembro dela sacudindo as mãos na pia de lavar roupas (lavanderia) para espirrar toda espuma do sabão em pedra e chamando todos para a operação. Depois havia de enxugar o chão, recolocar os móveis no lugares lavar os panos de chão. havia de estendê-los no murinho de cimento cru ou no varal de arame farpado rente à parede da casa do lado lateral de fora da casa. Mesmo cansada, depois do seu banho da tarde, 17 e 30, ela concebe o café de coador de flanela. O inigualável café de minha mãe. Ele cheirava mesmo antes de estar pronto, porque ela mexia inúmeras vezes o pó na água, para lá e para, em círculo e retomava os passos até quando coava na panela "bujuda" co...

UM CONTO BASEADO NUM PESADELO (qualquer semelhança é uma triste coincidência)

  Luanda, 29 de Março de 2021. Quando aquele moleque foi eleito, as gangues da cidade vibraram. Atearam fogo em carro e chicotearam homoafetivos. Pisaram na cabeça de todos os gatos e cachorros e depenaram pássaros. Queimaram mais de 2.000 bichos e deixaram morrer vários indígenas de tiro ou de indiferença mesmo. Depois o moleque foi ficando mais nojento e mandou colocar o pessoal dele nos cargos todos, também fechou muita universidade e detonou a vida dos professores. Ele inventou que o mais nobre professor Doutor era um imbecil comunista e que tinha o plano de acabar com a educação daquele lugar. No entanto, as coisa foram sendo desvendadas e algumas pessoas se arrependeram de dado voto de confiança num moleque violento, sádico e cruel. Mas já era tarde... Muita gente já havia morrido de tudo. Alguns que o elegeram morreram por dentro. A maioria morreu de depressão, desemprego, assassinato de grileiro, pandemia. A pandemia levou muitas almas... ele dizia para as pessoas deixarem...

VOGAIS DA VOVÓ SOL E DE DANTE (para meu neto)

 U de UM poema nunca escrito UMA música do ar UMA coisa nova qualquer UMA solução para nós UMA solução para tudo UM avião com vovó Sol dentro Luanda, 06 de Setembro de 2020. Solineide Maria*Sol de Maria.

VOGAIS DA VOVÓ SOL E DE DANTE (para meu neto Dante)

 O de OUTRA vez OUTRO lugar OUTRA luz OUTROS pensamentos OUTROS BRINQUEDOS OUTRAS letras OUTRAS músicas OUTROS filmes OUTROS eus Luanda, 06 de Setembro de 2020. Solineide Maria*Sol de Maria.

VOGAIS DA VOVÓ SOL E DE DANTE (para meu neto)

  I de IDENTIDADE nova IDENTIDADE PESSOAL IDENTIDADE ORIGINAL IDENTIDADE real IDEIAS novas  IDEIAS originais IDEIAS LEGAIS IDEIAS                MUITO          LEGAIS Luanda, 06 de Setembro de 2020. Solineide Maria*Sol de Maria.

VOGAIS DA VOVÓ SOL DE DE DANTE (para meu neto Dante)

                      E                          de ERA NOVA ERA ótima ERA DE LUZ ERA DE AMOR ERA para agora Luanda, 06 de Setembro de 2020.

VOGAIS DA VOVÓ SOL E DE DANTE (para meu neto Dante)

  A de AMAR sem julgar sem afastar sem se afetar sem afetar A de amar amando A de amar amar amar Luanda, 06 de Setembro de 2020. Solineide Maria*Sol de Maria.

BILHETE ESPERANÇOSO (ou quase)

Vem com alegria e faz nascer, de novo, aquelas flores em minha alma. A euforia do amor de quando a mãe da gente dizia para ficar na frente da casa, a tomar sol. "Mãe, podemos brincar no passeio?" A esperança nos fazia sempre perguntar mais uma, mais uma e mais uma vez. Argumentos fracos e muita cara de pau quando quebrava as regras... Sempre corríamos a apostar quem ia até a ladeira Belô. Vem com notícia boa, por favor. Nem que seja um saco de jujuba colorida, umas balas de atum, uma cocada de coco, uma mão de caramelo sortido. Chega com a flor que der: de cactus, de maracujá, de laranjeira, de canto de parede, de beira de estrada. Acena um olhar amoroso para mim, Setembro. Dá-me tuas flores, vou cuidar bem delas. Pode ser uma flor apenas. Eu topo. Eu topo ser melhor. Eu topo ser gente grande, mesmo que nos sonhos ainda corra pelas estradas vermelhas das terras das roças de minha mãe e meu pai. Eu topo ser melhor, Setembro. Dá-me boas notícias. Me dá um abraço. Solineide Mari...

No tempo do abraço

 Era no tempo de sorrisos fáceis quando a alegria era banho de bica ou banho de chuva. A alegria era  ficar na rua até tarde. A alegria andava descalça. Era o tempo do arroz doce em tarde chuvosa, era a mãe jovem administrando as "pingueiras". A alegria era o pai de óculos castanho descendo a ladeira em direção à nossa casa: com banana da terra,  quiabo, abóbora e cacau no saco de estopa. Era a feira de frutas da semana. Muitas vezes havia carambola, jambo, cajarana. A cajarana,  a gente comia com uma pitada de sal no pires. A alegria era comer cajarana acompanhada de uma pitada de sal no pires. A alegria era a roupa cheirando à sabão de pedra. A alegria era o cheiro da comida de mainha. A alegria era painho a bagunçar nosso cabelo com seu carinho de dedos  em nossa cabeça, em forma de guarda chuva fechando. A alegria era a janela tapada com tábua na hora de trancar a casa (para todo mundo ir dormir). A alegria era mainha a servir cocada de coco. "Só um pedaço, ...

CANÇÃO DO SONHO (para minha filha nos seus 23 anos de idade)

Minha filha Flora Maria: Ontem sonhei com você. Um sonho que sucedeu: você tomando banho (e eu).   A gente cantando músicas inventadas. Umas canções muito engraçadas. Depois você escovava meu cabelo, eu lhe ensaboava e enxaguava   Acordei com os olhos a molhar a fronha… E revi você na lágrima amparada pela brancura do tecido azul.   Tudo em mim será para sempre você e eu. E na paz que essa certeza traz, respiro a alegria de ser sua mãe.   Feliz Aniversário, minha filha. De Solineide Maria-Sol de Maria.   Luanda 06 de Agosto de 2020.

CANÇÃO DO SONHO (para minha filha, Flora Maria, nos seus 23 anos de idade)

Minha filha Flora Maria: Ontem sonhei com você. Um sonho que sucedeu: você tomando banho (e eu).   A gente cantando músicas inventadas. Umas canções muito engraçadas. Depois você escovava meu cabelo, eu lhe ensaboava e enxaguava   Acordei com os olhos a molhar a fronha… E revi você na lágrima amparada pela brancura do tecido azul.   Tudo em mim será para sempre você e eu. E na paz que essa certeza traz, respiro a alegria de ser sua mãe.   Feliz Aniversário, minha filha. De Solineide Maria-Sol de Maria.   Luanda 06 de Agosto de 2020.

FLORA SUN (para minha filha Flora Maria)

Você tem dois brilhantes nos olhos: deixe então que eles brilhem, e irradiem o Planeta com luz diamantina. Você é uma claridade imensa, iluminando todos os sonhos: deixe os sonhos acordar do sono. Faça um navio de papel dê vida a ele: depois embarque todas as alegrias, para que cheguem até você. Quando você sorri, todos os planetas dançam, e a alegria desembrulha as novas cores do Sol. Então sorria minha flor, sorria até as novas cores criarem a nova realidade do Amor. De sua mãe Solineide Maria.  Te amo, filha.

MEMÓRIA MUSICAL (e outras memórias igualmente alegres)

“Estava ouvindo Sade pela manhã e lembrei de você”. Essa foi a frase inicial de um gostoso papo com minha sobrinha amada: “a filha da Chiquita Bacana”. A conversa foi sobre música, “toca na cabeça”, fotos com filtro, “a praça triste”, as recordações alegres etc. Tinha passado o dia anterior com Sade , enquanto revisava uma monografia. Ouço Sade, volta e meia, para rememorar A Cidade das Músicas “de qualidade” (impecável) que existe dentro do meu mundo de memórias musicais. Essa semana ouvi Sade até sentar.  Quieta, daqui da cozinha, cheguei a ver umas cenas da época da sala de mainha. Eu a dançar Legião Urbana, a ouvir Marina Lima, Sade, Sade e Sade. Minha sobrinha me fez rever lugares e imagens… Distâncias não separam a gente de quem a gente ama. Me deu uma vontade de dizer em voz alta para a saudade: “Toma na sua cara!” Apenas sorri. Vi nitidamente as festas que meu cunhado Valfredo intitulava de   “Spiritual” na casa de minha irmã Selma (vossa esposa). Puxa ...

Relato sobre insônia, a visita de um astro do Rock brasileiro, os barulhos de ferro no céu e possíveis poemas pandêmicos.

Luanda, 30 de Junho de 2020. Ele perguntou se podíamos conversar um pouco já que estava acordada em plena madrugada quinze para as três da madrugada. “Caiu da cama donzela?!” sorriu baixinho. Pedi silêncio para Jorge não acordar, ele disse que não ia tocar guitarra, nem trombeta. Fechei a porta do quarto e fomos para a cozinha. Enquanto esperávamos o café ele disse: “Sol, deveríamos tomar chá em vez de café. Mas tradição é tradição”. E sorriu com a mão na boca, a abafar o ruído da risada. Café pronto, brindamos nossas canecas e fomos para a sala. Ele havia aberto a janela para ouvir melhor o barulho do céu. Eu lhe perguntei se ele sabia o que era aquele barulho e ele disse: “Melhor não saber muita coisa Sol. Posso dizer, apenas, que é Deus arrumando as coisas”. Depois falou que é melhor ficar quietinha e escrever e ler e estudar. Eu concordei. No entanto ele deu uma pista a mais e disse que a nova etapa vem com mais calma, mas pede mais consciência. Eu lhe disse: “Etapa na cara,...

MINHA VÓ CANOA, MINHA VÓ RIO

"Menina vem sem palavra." Eu ouvi, depois vi. Vi uma mulher de cabelos longos, meio pretos e meio brancos. Grisalhos. Era tarde da madrugada ou era cedo, começo da manhã? Não sei. Mas levantei e segui aquela Senhora magra e pequena, mas bonita. Bonita de forte e séria. Lá fora nos encontramos com outra Senhora. Pequena também, séria também. Forte, me pareceu. Disse em sussurro: "é cedo, mas já tem gente acordada, vamos sem dar pio nenhum." Eu não sabia o que fazer. Por dois segundos quis trancar a porta, mas quando dei por mim já estava na rua, depois numa canoa, depois num rio, depois num lugar que não identifiquei. Havia muita gente deitada na terra, era uma mata? Uma floresta? Não sei, estava ainda a querer identificar as mulheres que sumiram. De repente um homem pequeno, do meu tamanho (1.50) me dá uma cuia e uma panela de barro e pede para distribuir aquela água às pessoas. Eu assenti. Havia gente de todas as etnias. Eram pessoas. Era gente. Era um mundo de ...

O DESABAFO DO ALDIR

Sonhei com o cronista, talvez por ter ido dormir um pouco perturbada com a pergunta infame do "fã" do poeta Aldir, sobre o que ele tinha feito do dinheiro dos grandes sucessos que compôs… No sonho ele me explicava que a "Arte é um negócio maluco, se você não tem alguém para lhe orientar Sol de Solineide, melhor aprender." Estava incrivelmente calmo, apesar de apresentar uma respiração bastante ofegante. Trazia máscara e tudo o mais. Eu também. Para além das máscaras (minha e dele), o notável compositor estava dentro de uma espécie de bolha plástica, no centro da sala de casa. Depois de uns minutos ele narrou como se sentia e disse que estava muito comovido com a despedida do Moraes. Um pouco sério me perguntou se achava que ele ia falar com o Moraes pessoalmente. "Não tem graça", respondi. Também entendo sobre as dificuldades de ter acesso ao mundo da arte letrada amigo. Porque tem a arte descomposta... sorri sem graça. Ele deu um riso bom e disse...

NÃO VEJO A HORA

A Arte tem colorido meus dias: música, músicas do marido de prima Elvira, Drummond, Gullar, Ezra, Massaud, Manuel……… etc, etc. Estava aqui quietinha, buscando o significado de uns números que vi na janela, durante a noite e praticando a Língua de Sinais e “tcharan”: o disco completo. Uau! Humberto com um disco inédito e muito bom. Muito bom mesmo! As composições, misteriosamente, me tocaram e parecem discorrer sobre esse momento estranho que se vive. Estava a pensar que essa pandemia é um pandemónio de informações e de tudo o que não dou conta. Não dou conta de mais nada, mas eis que de repente aparece o Humberto com esse disco de inéditas, chamado “Não vejo a hora”. Estava olhando para fora da janela a ver o sol dos dias e a pensar no futuro, mas agora de modo diferente. Tão interessante olhar e não ver. Não ver no que vai dar, não saber o que será, mas ter quase certeza que vai ficar tudo bem. De repente o disco de Humberto, figura que não saiu da minha vida. O Engenheir...

DE ABRAÇOS NEGADOS E DE POETAS QUE NOS VISITAM

Ferreira Gullar chegou à noite, com máscara no nariz e luvas e um saco de papel: contendo seu último livro. Ele me olhou com olhos marejados e perguntou se eu tinha coragem de abraçá-lo depois que tomasse um longo banho. Sorri. Depois do banho e do café quente que tomamos eu, Jorge e ele, Ferreira contou sobre as novas. Disse que isso ia passar e que em Agosto, no meu aniversário, já estaria no Brasil. Nesse momento os meus olhos é que marejaram. E não só. Desabei mesmo. Chorei muito, porque sou de chorar, deixo aparente o que sinto (e o que não sinto). Segundo Carl Jung temos quatro funções psicológicas principais, mas uma é superior e a minha função principal superior, chora. Ferreira não soube o que fazer, então ficou quieto e me trouxe um guardanapo, Jorge ficou parado a me olhar. Decidi ir para a cozinha e peguei mais um café, enquanto os dois conversavam na sala. Não ouvi. Decidi ficar um pouco ali, sentei-me numa cadeira, a cadeira da cozinha. Pensando em tantas coisas,...

Ela Imbondeiro

Ela fica triste. Ela fica alegre. Ela se reserva. Ela fecha a porta. Ela abre. Ela bate papo comigo. Ela não me julga. Ela não me critica. Ela me acalma. Eu a amo como estiver. Ela a estar triste, amo Ela a estar alegre, amo. Ela a estar ressequida, amo. Ela a estar chateada, amo. Ela também a mim, me ama. Ela me ouve faz quase 7 anos. Estamos juntas, por inteiro. Ela Imbondeiro. Para "a Mulher de todos os Continentes." (Autoria: Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodrigues)