segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

SE NÃO FOSSE A ARTE

Se não fosse a ARTE, que desastre.
Destarte, 
agradeçamos a Deus
que nos deu a possibilidade
de sobreviver,
pelas gotas de luz,
orvalho,
petiscos de pão
e azeite para as feridas emocionais,
lesão das solidões imensas,
das solidões pequenas...
Porque se não fosse a ARTE, 
que desastre.

Solineide
Luanda 25/12/2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

"ENTÃO É NATAL"

O mundo, infelizmente, parece andar a fazer com que as pessoas queiram o que a foto indica. 
No Brasil então... Vergonha, descalabro, pornografia política às claras. Nojo...

Os filmes falam da mesmíssima coisa: nada (ou quase nada). E livros aos montes são publicados com várias mensagens e nenhum abraço de gente. Gente. Essa espécie ameaçada de extinção.

Lembro-me de quando li alguns dos títulos que me fazem falta hoje (eles estão longe, os livros)...
Histórias tão boas que sempre me fazem rir, chorar e, de rompante vou àquela página ver se era aquela  a fala da personagem.

O que há com nós?

Minhas poesias ensaiam umas palavras novas, mas rebelam-se e dizem: "esquece Sol... Vamos tomar café e ler mais um pouco" (os mesmo títulos que estão comigo em vida física ou virtual, PDFs.)

Assisti a um filme "A hora fria" (La hora fría) nunca mais encontrei (coisas boas e busca na Internet são um grande quebra-cabeças).
Narrativa: os homens usavam a bomba terrível e seres estranhos a nós, tomavam conta do que restou do Planeta Terra. À noite, ou em certa hora da noite, porque o tempo estava a ser contado meio torto, eles passavam pelo lugar.
Onde passavam, tudo ficava gelado, mas ao máximo.

O lugar era um desses últimos lugares que se constroem para o caso de haver guerra nuclear. Restavam uns humanos que por passarem muito horror, ficaram esquizofrénicos. Mas sempre existem os mais fortes. Os mais fortes...

Talvez seja isso... A Terra anda tão cheia de gente tão má, que anda desbastando o restante das gentes boas. E a sensação de solidão imensa, carrega a quase todos os mais sensíveis.

MAS POR FAVOR, vamos nos agarrar ao BEM, nos unirmos aos pensamentos positivos.

Não é possível que o mal vença. O mal caratismo, a maldade, a pilantragem, todos esses males humanos que circulam por aí com nomes e sobrenomes.
Deixemos que eles fiquem frios, mas nós que ainda temos uma centelha viva, não...
Por favor.
Soliniede.

(Luanda, 23/12/2017)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O BOSQUE

Quando a gente senta a olhar a beleza desse lugar, até a solidão se aninha toda arrumada, batom, cabelo penteado (ou não) e fica conversando com a gente...
Árvores tão bonitas, uma lente disforme do clima, que parece meio húmido. Sempre aparece um banco bonito.
Sempre quis ter um banco de bosque no meio da sala, não precisa ser jardim. Qualquer sala. Ou na varanda de uma casa num lugar onde existisse mais gente do que pessoas. O mundo está cheio de pessoas, não encontro muita gente. Mas há gente dentro de nós. Isso é maravilhoso. Saber que apesar de determinadas pessoas, somos gente.

Solineide Maria
Luanda, 18/12/2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?
De onde saiu esse indivíduo que senta na cadeira da presidência de um país que há muitas décadas luta contra o trabalho escravo?
Reza a lenda que ele e Cunha tramavam a queda da antiga presidente há muito tempo. Óbvio que outras duplas sinistras estavam envolvidas na colocação dessa criatura, na cadeira da presidência de um país que estava crescendo e aparecendo para seu povo.
Esse tipo aprovou recentemente uma proposta que dificulta o flagrante e a responsabilização dos "senhorios de fazenda" e outras atividades, que colocam trabalhadores em condições de trabalho escravo. Ou seja, ele é a favor do trabalho escravo no Brasil.
Aprovar essa proposta é facilitar a ocorrência do trabalho escravo e isso é um descalabro, porque esse ser é indicado por pelo menos três crimes: "Obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa".
A moção que essa figura aprovou, desaprova a moral humana. Mas ele é a favor de muitas coisas condenáveis, portanto, moral não é assunto que essa criatura entenda. Sugere ter nascido assim, esse extra terrestre que pousou no Congresso com aprovação do lado negro da força: um completo "desaprovável".
O trabalho escravo é uma vergonha da ordem das vergonhas hediondas e ele aprova. Aprova porque entende sobre não ter vergonha nenhuma e escrúpulo zero. Entende, por ser um completo censurado e censurável.
O indivíduo temido chegou ao poder pelas mãos do imponderável. O povo não sabe como aconteceu essa desgraça que regride o Brasil em 20 anos. Retrocesso lastimável e, pelo que se observa, que durará durante mais alguns anos. Porque mesmo que deixe a cadeira da presidência em 2018, os infortúnios gerados por ele vão ser fortes empecilhos para que a saúde emocional do povo e do país comecem a restabelecer.
Ditador? Vampiro? A morte? O fim? Talvez essa criatura resuma tudo num mesmo caldeirão, onde o povo de um país é cozido em banho-maria com fundo musical de filme de terror. Apelemos para o Divino pois é muito possível que até Ramsés temeria essa criatura.

(Solineide Maria - Luanda, 07/12/2017)



Leia a repostagem "14 pontos da portaria do governo Temer que dificultam detecção e punições ao trabalho escravo":
http://jovempan.uol.com.br/noticias/politica/14-pontos-da-portaria-do-governo-temer-que-dificultam-deteccao-e-punicoes-ao-trabalho-escravo.html

O HOMEM ABORTA E SOME

O homem é abonado do ato do aborto.  Não é culpado, não é pai, não é progenitor, não faz parte de nenhum momento que envolve o assunto. Aborta e some.
A mulher marcha solitária, infinitamente solitária pelas discussões sobre o tema, isso há pelo menos, duas décadas.
Não se ouve a palavra homem, pai, progenitor, o cara, o canalha, o cafajeste, o irresponsável, em nenhum momento da discussão sobre o aborto.
Ouve-se falar em estuprador. Nesse caso, o estuprador poderia chegar a ter mais representatividade do que o noivo, o namorado, o marido... Uma triste constatação.
A mulher é sempre vista como quem não tem coração, aquela que não pensa antes de engravidar, a que não tem nada na cabeça. Mulher assim é uma qualquer. Em geral, a  mulher é a vilã da história. A solidão da mulher que pratica o aborto é imensa, chega a ser descomunal.
Recentemente o Papa declarou que as mulheres que praticam o aborto e todos os envolvidos no ato devem ser perdoados e merecem prece. E o que merece o homem que abandona a mulher numa situação tão séria?
Uma matéria diz que mais de 50%dos brasileiros são a favor da prisão da mulher que aborta. Então é assim? E o homem que engravidou essa mulher? Cadê  os homens que abortam a mulher e o filho?
Sim, porque o homem rescinde da mulher e do filho. Seria um duplo aborto. Além de ser, mais das vezes, crime premeditado, porque viabiliza financeiramente uma clínica mal aparelhada e de péssimas qualidades técnicas e humanas. Ou entrega nas mãos da mulher, num beco, às escondidas e às pressas, um remédio proibido nas farmácias...
Dizem que muitas das mulheres que abortam, o fazem por vontade própria. Pode ser. Mas e as outras mulheres?
Exceto nos casos de estupro, será que todas as mulheres que abortam quereriam mesmo abortar? A decisão não ocorreria, sobretudo, por culpa da solidão de uma gestação abandonada? Já que a mulher, independente da idade, é malograda ao peso vasto de uma solitária circunstância?
Não sou a favor do aborto, sou contra a ausência da figura masculina na culpabilidade do o aborto. Sou a favor de lembrarem de que há a participação de um homem para que aconteça a concepção de um feto. Sou a favor de que procurem outorgar a esse "homem" a parcela das culpas que lhe pertencem.

Solineide Rodrigues
Luanda, 06 de Dezembro de 2017.


Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


Vó Sol 08/07/2017.

A VIDA CARECE DE DJAVAN


Djavan tem canções que são mares absolutos. Imensidão de águas que retornam cada vez mais límpidas nas conchas e colchas do dia a dia. A vida carece de Djavan.
Djavan é uma necessidade, tipo beber água. Tipo tomar café. Tipo assim… Tudo.

As canções têm uma coreografia sem dançarinos, elas dançam por si. Nós, esses djavanianos de carteirinha por puro amor, ficamos embevecidos, nadamos sem saber nadar, afogamo-nos nos vários oceanos de líricos acordes de suas canções.

Não sei de onde Djavan traz tantas canções inéditas. Penso que esse poeta maravilhoso e capaz, viaje para dimensões que nunca dantes tenham sido exploradas. Guardo a hipótese de que exista a dimensão Djavan numa região de claras águas, onde as palavras surjam emocionadas quando ele aporta de sua nave amorística.

Que fim levou o amor Djavan? Eu queria lhe perguntar isso hoje, porque a TV mostra umas loucuras que não são de minha compreensão. Não encontro nenhum fio de pensamento que consiga responder tal questão. Tudo que plantamos anda a dar capim…  E olha, é um capim sem poesia nenhuma, sem graça nenhuma, sem vento que o embale…

“Deixa eu chorar com você” Djavan, porque nem no Serrado as coisas andam fáceis… Nosso país tão maltratado, tão saqueado Djavan… Valei-nos! Um país tão bonito, um povo tão original, diverso, trabalhador sim…  

Tantos mares me atravessam, tantos mares de palavras mudas meu irmão. E não caem em “doces gotas de amor”, elas retesam de inquietude e de decepção…
Djavan: você “pode ter um jeito de acasalar o canto do mar com sua voz de cantor e fazer desse seu canto um brado tão fundo pra amolecer” o coração dessa gente nefasta, que anda a encavacar o Brasil?


(Solineide Maria - Luanda, 6/12/2017)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

OUTRA VEZ E DE NOVO... SAUDADES DO RENATO RUSSO.

TENHO SAUDADES DO RENATO RUSSO COMO SE ELE FOSSE MEU IRMÃO. COMO SE TIVESSE VIVIDO COMIGO A ADOLESCÊNCIA NO BAIRRO ONDE MORAVA COM MEUS PAIS, MINHA FAMÍLIA, NAQUELE TEMPO EM QUE  A GENTE SONHAVA EM TOMAR COCA-COLA... rs
CONHECI A ESSA BEBIDA COM 14 ANOS, QUANDO UM TIO FOI PASSAR O NATAL CONOSCO NO ANO DE MIL NOVECENTOS E BOLINHA...
ÀS VEZES FALO ALTO ASSIM: "POIS É RENATO"... DEPOIS DOU UM SORRISO DE BOBA, SORRISO DE QUEM SE DÁ CONTA DE QUE NÃO DEVE SER NORMAL TER SE APEGADO A ALGUÉM QUE VIVEU COMIGO, APENAS, NO MUNDO DAS IDEIAS.
COMO ASSIM APENAS? ELE VIVEU MUITO MAIS VERDADEIRAMENTE COMIGO DO QUE ALGUNS AMIGOS QUE CHEGAVAM E E IAM-SE EMBORA... SEM DIZER ADEUS...
ALIÁS, QUE AMIZADES ASSIM, SEMPRE EXISTEM E EXISTIRÃO. MAS SERÁ AMIZADE? MAS ISSO É TEMA DE OUTRO DEVANEIO DE MINHAS EMOÇÕES...
TAMBÉM EU VOU-ME EMBORA ASSIM. ÀS VEZES FERE-SE MENOS...
RENATO ME DIZIA O QUE EU NEM SABIA COMO FALAR.
UMA AMIGA FOI PARCEIRA NESSA AMIZADE. O NOME DELA É CIDA. MAS DEPOIS DO ADVENTO DA DOENÇA, ACHOU POR BEM TROCAR O NOME PARA LUCI. É BACANA, MAS NÃO CONSIGO ME ADAPTAR ATÉ HOJE. DESCULPA MINHA AMIGA.
NÓS DANÇÁVAMOS AS MÚSICAS DO RENATO E CONVERSÁVAMOS SOBRE AS LETRAS DELE E SOBRE COMO ELAS DIZIAM TUDO O QUE GOSTARÍAMOS DE FALAR.
O PAI DELA DETESTAVA... A GENTE FICAVA AGUARDANDO A SAÍDA DELE E EMBARCÁVAMOS NAQUELAS LEITURAS. CIDADE PEQUENA, GRANA NENHUMA, NADA PARA OS JOVENS FAZEREM... EM MAIS DE VINTE ANOS POUCO MUDOU. PRINCIPALMENTE PARA OS JOVENS DE FAMÍLIA DE BAIXA RENDA.
MINHA MÃE FICAVA AFLITA QUANDO EU ME APROXIMAVA DO SOM MARCA SONY, TRÊS EM UM. CARAMBA... QUANTA SAUDADE...
MINHA MÃE ATÉ HOJE NÃO SUPORTA RENATO RUSSO. É QUE EU REALMENTE ENCHIA COM O SOM ALTÍSSIMO E DANÇANDO "RENATISTICAMENTE" PELA SALA... DESCULPA MAINHA... EU PEGAVA PESADO MESMO...
RENATO ERA MEU AMIGO SIM. AINDA O É. HOJE MESMO ELE VEIO ME VISITAR E ESCREVEU UMA MÚSICA, MAS NÃO SEI TOCAR NEM CAIXA DE FÓSFOROS... VOU LEVAR PARA MINHA FILHA, QUE TOCA VIOLÃO E QUE TAMBÉM GOSTA DO RENATO RUSSO.
ELE ESTAVA TÃO CALMO, PEDIU PARA SEGUIR COM CALMA E COLOCOU UMA MÚSICA, ESSA, QUE ELE ESCREVEU. UMA CANÇÃO MUITO LINDA!
DEPOIS PERGUNTOU SE TINHA CAFÉ, EU PERGUNTEI SE ELE QUERIA, ELE DISSE QUE ESTAVA MAIS PRA CHÁ HOJE EM DIA. SORRIMOS.
EU PERGUNTEI SE ESTAVA TINHA VISTO A MÚSICA DELE NAQUELA NOVELA. ELE SORRIU E FALOU QUE É SÓ MORRER PARA SER AMADO POR TODOS. EU DISSE QUE ISSO NÃO É PARA TODOS. SORRIMOS...
DEPOIS LEMBRAMOS DE OUTRAS CANÇÕES EM TRABALHOS NO CINEMA E NOVELAS ENQUANTO ESTAVA VIVO.
ELE DISSE: "NESSE PLANO" E GARGALHOU. FALOU ASSIM:
"E EU QUE PENSAVA QUE ERA TUDO UMA GRANDE ILUSÃO COLETIVA, ESSE NEGÓCIO DE MUNDO ESPIRITUAL".
DEU-ME TANTOS CONSELHOS. MUITOS. INCLUSIVE O DE NÃO ENCUCAR DEMAIS COM OS ACONTECIMENTOS DESAGRADÁVEIS. "TODA VERDADE VOLTA MINHA AMIGA POETISA". DISSE E ME ABRAÇOU. DEPOIS DESPEDIU-SE TOCANDO AINDA É CEDO NUM RITMO BLUES LINDÍSSIMO.
ACORDEI COM A VISÃO DO SORRISO DELE ME DIZENDO ASSIM: "ESCREVA MINHA IRMÃ, ESCREVA".
FIQUEI UM TEMPO OLHANDO O TETO BRANCO E LI UMA PALAVRA MUITO BONITA: GRATIDÃO.

(Solineide)

Luanda, 30/11/2017.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

WEZA, A PEQUENA ZUNGUEIRA

Terça-feira, 24 de outubro de 2017

WEZA, A PEQUENA ZUNGUEIRA
(PEQUENA NARRATIVA PARA PEÇA DE TEATRO, BASEADA NO CONTO DE ANDERSEN, A PEQUENA VENDEDORA).

PERSONAGENS
Weza (vendedora – personagem principal)
Pai de Weza - Sr. Bocoio
Mãe de Weza - Dona Deolinda
Dona Muxima
Sr. Paka.
Avó (espírito – sonho)
Pessoas a andar na rua (figurantes)
Duas famílias: pais, mãe, irmãos, tios etc. (a menina vê pela janela)
Crianças
Narrador personagem

Era tarde de Natal em Luanda, weza estava em casa no Bairro Capolo a preparar a zua para sua mãe que estava incomodada, quando seu pai diz quase em berros:
(Pai) _ Weza deixa de mangoia e vai vender!
(Mãe) _ Bocoio, não precisa falar assim com a Weza. Ela é muito boa menina. Calma.
(Pai) _ Calma? Você viu como vendi pouca Cuca em plena tarde de Natal? Como vamos comprar a comida na semana que vem?
(Weza) _ Pai é Natal! Deixa só ficar em casa hoje ya pai?
(Pai)_ Não me faça repetir!
A menina, cansada de tanto mexer a mukua para o zua, vai à busca de sua chinela para ir  vender.
A bacia estava cheia de lanternas que seu pai comprou no mercado para vender pelas ruas de Luanda.
Weza ia muito triste pelas ruas do Capolo  até a Rua principal da Comuna do Palanca. A bacia pesada para uma menina de apenas 8 anos de idade fazia Weza parar muitas vezes para descansar.
Chovia muito, era Dezembro em Luanda. A chuva começou a ficar muito mais forte e Weza foi obrigada a procurar uma cubata.
Enquanto descansava, pensava numa vida diferente daquela. Afinal, sua vida a de seus irmãos, e a de seus pais, era muito pobre. Comida, apenas o jantar que se resumia em funji com cabueinha.
Já se fazia tarde, 18 horas em média, e a chuva não parava de cair. Por causa da chuva muito forte Weza acende uma das lanternas da bacia. Com cuidado, ela se cobre com um pano e fica encolhida na cubata.
Weza acaba adormecendo e sonha com uma casa muito linda (dessas que tem pelas ruas de Talatona). Na sala havia até um piano! Nossa! Weza sempre achou bonitas as músicas do Coral quando o pai a deixava participar. Lá era muito bom! O professor era voluntário e trabalhava sozinho, sem apoio de ninguém, só por amor às crianças e à música. Infelizmente Weza acordou. Era apenas um sonho…
A chuva ainda caía forte e Weza acaba por adormecer novamente. Dessa vez a menina sonha com uma mesa muito farta. Tinha de tudo: bolo rei, bacalhau com natas, muitas gasosas, arroz branco e arroz colorido, galinha rija… grelhados de todos os tipos… Hummmmm… Bom, bom, bom!
Mas era apenas o cansaço que Weza sentia e que fazia com que ela adormecesse tantas vezes… Além do frio, Weza agora sentia muita dor de cabeça… Talvez com febre começa a ver umas luzes muito bonitas numa enorme árvore natalina.
(Weza) Uau! Quantas luzes bonitas! E que casa fixe é essa? Onde estou? Ali é a avó?
A avó de Weza que tinha morrido de paludismo há um ano, grita seu nome com muita alegria.
(Avó) _Weza! Ê ê Weza meu Deus! Quantas saudades!
As duas se abraçam e conversam.
(Weza) _Avó para onde você foi?
(Avó) _Vim morar nas estrelas minha neta.
(Weza) _É por isso que vejo tantas luzes bonitas?
(Avó) _Sim minha neta amada. E o que você faz na rua até tão tarde e com essa chuva?
(Weza) _ O pai mandou vender lanternas…
NARRADOR: Weza conta tudo o que aconteceu nesse tempo longe de sua avó:
(Weza) _Avó… Depois que você veio morar aqui, nas estrelas, passamos tantas dificuldades. Saímos de sua casa na Província para morar aqui em Luanda, o pai nunca conseguiu emprego… nem a mamá.
A Avó chora de tristeza e diz para sua neta:
(Avó) _Calma Weza, tudo vai acabar bem. Eu vou ajudar você.
Weza acorda. Está com muito frio e sente muita dor de cabeça. A lanterna já não funciona e a chuva continua. Tenta levantar-se, mas não consegue.
De repente um carro para e de lá uma mulher desce com um guarda-chuvas. Ela é parecida com sua avó e Weza diz com alegria, mas sem força:
(Weza) _AVÓ. AVÓ.
A mulher chama o marido para ajudá-la a carregar a menina para o carro, pois Weza acaba por desmaiar.
(Paka) _ O que houve? Minha querida você vai levar a menina sem saber quem são os pais?
(Mulher) _ Primeiro a gente socorre meu marido. Depois pesquisamos com ela onde mora e sobre sua família.
Paka, um homem de bem e bom, sobrevivente da guerra, leva Weza para o carro. Muxima, sua mulher, forra um pano em Weza e a deita em seu colo.
Paka coloca a bacia de produtos de Weza no carro e partem para uma Clínica.
Não houve problema para atenderem Weza, Muxima conhecia o médico plantonista, afinal, foi enfermeira durante muitos anos.
O médico pede apenas que aguardem o socorro e depois chamaria os dois.
(Muxima) _ Será o que houve com ela Paka?
(Paka) _ Você viu que ela é uma pequena vendedora de rua querida. Pode ser fome, paludismo, pode ser tanta coisa. Mas vamos ser otimistas ya?
O médico retorna depois de uns 20 minutos e acalma aqueles dois corações bondosos.
(Médico) _ Fiquem tranquilos. A menina foi medicada. Ela está muito fraca, mal alimentada e com febre. Está acordada, podem ir falar com ela.
No quarto, o casal se aproxima de Weza com muito carinho e cuidado. Apresentam-se e contam como a encontraram.
Weza diz:
_Você parece muito com minha avó. Ela hoje mora nas estrelas. Obrigada por me trazerem para esse Hospital. Preciso avisar a meu pai.
(Muxima) _Vocês tem telefone?
(Weza) _ Sim. Meu pai tem das duas operadoras. Você quer o número da qual?
Muxima sorri e diz que pode ser qualquer número.
Weza diz o número e a mulher telefona ao pai. Conta toda a história e pede que fique calmo, pois levarão Weza para casa em segurança.
(Muxima) _Pois… então falamos em breve Sr. Bocoio. Desejo de melhoras para Dona Deolinda...
Sra. Muxima conversou bastante com o pai de Weza. Falou inclusive sobre a vontade de adotar a menina. Agora que estava com as filhas adultas e formadas, morando fora de Luanda, sentia vontade de ter novamente filho ou filha. O marido sempre estava presente, trabalhando juntos em prol dos pequeninos no Lar dos Utombiwi. Tinha 56 anos de idade e havia adotado duas das três filhas do casal. Naquela noite, Weza havia reacendido em seu coração, com mais força, a vontade de ser mãe novamente.
Paka já havia aceitado a idéia, enquanto conversavam na sala de espera da Clínica.
(Paka) _ Falou com os pais dela?
(Muxima) _ Sim. Eles nos esperarm.
(Os três saem da Clínica. Weza está bem e com roupas novas que D. Muxima providenciou. Os três vão para a casa de Weza, no Capolo).
Chegam à casa de Weza, depois de entrar por muitos becos e enfrentar muita lama.
A conversa com o pai de Weza e sua mamã Dona Deolinda é muito boa. Afinal, Dona Muxima não diz que vai tomar Weza para si, ela explica que quer ajudar a criar Weza. Tudo conforme a Lei.
(Paka) _ Sou advogado Sr. e Sra Bocoio. Faremos tudo conforme a Lei.
Os pais de Weza estavam alegres. O coração aflito da mãe de Weza estava tranquilo agora. Depois do sumiço da menina, depois de tanta doença, de tanto sofrimento, sabia que aquela ajuda era ajuda Divina. Na noite de Natal não poderia receber presente mais caro, saber que sua filha teria apoio para não morrer de fome ou doença como morreram quatro dos seus filhos. Weza era a mais nova.
(Pai) _ A gente queria dar certo Sr. Paka. Mas a vida faz surpresa. Às vezes surpresa ruim. O Sr. me entende?
(Paka) _ Claro que entendo Sr. Paka. Sou filho de Angola. Claro que entendo…O Sr. Vai trabalhar comigo. Trabalho e salário digno o Sr. Vai ter.
Os dois homens se abraçam e as duas mães dão as mãos.
Weza abraça as duas e sorri. Depois olha para o céu daquela rua no Capolo e grita:
_ O NATAL EXISTE.
(Nesse momento, muitas crianças aparecem de toda a parte, cantando uma linda canção que fala sobre um futuro melhor, educação e amor).


Solineide Maria de Oliveira  do Patrocínio Rodrigues - Autora.
Escrito em Luanda na data de 25/10/2017. 


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

PÉ DE ESPERANÇA (uma criança).

Nasceste num tempo onde flor e amor
estão a cair no esquecimento.
Mas seja forte, estou aqui,
nunca vou sair de perto de ti
que ainda nem vi...
Não tocar não diminui o amor.
 Dante Tu és meu pé de força...
Pé de esperança.
Uma criança... E já tão forte.
Veja, sinta, ame:
mesmo que as pessoas não sejam
amor derramado,
siga amando sorrindo,
vendo bonito assim por dentro,
por dentro Dante.
Por dentro
se a gente é grande
é maior. Te amo.

 Vovó Sol (Solineide Maria Rodrigues)
Para DANTE.
4 meses de luz!
Luanda 20/10/2017

OS 300 DE SOMÁLIA

PAI,
dai colo para esses 300 filhos sem rosto.
300 almas deserdadas de tudo,
tisnadas no fogo da maldade.

Deserdadas de pão e de colo,
de amor e de estudo…
 Pai Acolhei esses 300
que não estavam guerreando…

Não tinha marido a ser defendido,
não tinha rainha a ser perseguida.
Não tinha narrador para esses 300 Pai…

 Pai dai de comer, dai de beber,
dai uma cama… Um cobertor…
Pai Maior. Tem até erê…
 Eles estão chegando com os Pais João de Angola,
Joaquim, Benedito…
Esses papás dos pequeninos da Terra.
Acolhei Mãe,
dai colo a esses 300 que nunca foram acolhidos aqui
na Terra.
Que assim seja

(Solineide Rodrigues) 19/10/2017 Luanda

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A POESIA VEIO

A poesia planta palavras diz assim : 
Sol, vem. Eu consigo ouvir. 
 Vou. 
Ela me fala que me ouviu. 
E que veio porque teve misericórdia de mim. 
Deu- me um abraço enorme igual a um paralelepípedo
desses que andamos à mar-abalizar quando infantes... 
Ela estava triste. 
 Contou que foi para um Congresso das palavras cansadas. 
 Poxa vida... 
A poesia fica sem palavras sabia disso? 
 Eu fiquei muda. 
Perplexa! 
Também eu estive muda. 
Contei. Ela pediu desculpa...  
Porque tem um pouco de colaboração na minha mudez. 
Pois... Disse. 
Abraçamo-nos. 
Ela prometeu não sumir tão já. 
Depois, tomamos café, 
contei as novas idades... 
Ela contou novidades. 
E a noite acabou. 

Autoria:  Solineide Oliveira Patrocínio Rodrigues

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

QUERO SER MENDIGO DE AMOR

A forma mais sublime de amar é amar mendigando.
Porque é de tal modo bonito ser mendigo,
não ter nada e só ambicionar amor, amar...
É tão sublime ter sede de amor
que mendigar amor se torna assim
a mais autêntica forma de subir.
Passei dias pensando sobre isso,
e um poeta, Carlos, declarou:
"olha Sol, discordo de mim mesmo hoje.
Hoje quereria ser mendigo de amor".

(Solineide Maria de Oliveira do P. Rodrigues)

terça-feira, 25 de julho de 2017

DIA DOS AVÓS (MEU PRIMEIRO DIA ENQUANTO VOVÓ DE DANTE)



Ser avó
emoção que a palavra não expressa
sentimento que apenas a alma
confessa.

Outra vida
na vida de um filho nosso.
Outra voz a dizer
mamãe,
papai,
para o filho que nos disse
um dia:
mamãe, papai...

A mais doce melodia:
um coração a bater
dentro do coração
do nosso filho,
da nossa filha.

E toda a paz de perceber
que amor com amor
eterniza
o amor de eras.
E que amar
é o que viemos cá fazer.

Solineide Oliveira Patrocínio
(Dia dos avós)
26/07/2017

domingo, 23 de julho de 2017

FIM DE MUNDO

Diziam (os mais velhos),
que no fim do Mundo haveria Anjos e trombetas...
Nem Anjo e nem Música Divina.
Nem um Serafim...
Contentemo-nos uns sem os outros.

(solineide)
Livro de Solineide - Poesia nenhuma Ano: 2000 (na gaveta)

DANTE antes

Ele fez um mês na Terra. Olhos maiores, pele mais esticada e mãos alvas e também maiores (17/07/2017).
Tem um mês que deixou o Plano Espiritual e veio para a matéria.
Dante, Deus lhe abençoe pelas estradas da vida aqui na Terra.
Coragem meu neto. Amor no coração e fé em Deus. Para sempre.
Te amo.
Vó Sol.


VERSOS PARA DANTE

Deus inventou

A poesia.

Nunca mais

Terei vazios.

Esperança de graça...


(Versos para meu neto)
De Solineide Rodrigues.
Para Dante Ramos.

sábado, 15 de julho de 2017

AVÓ (17-06-2017)


Avó

Uma flor nasceu fora de mim,
noutra pessoa se fez o amor de Deus
que também é amor de mim.

Solineide-2017

sábado, 8 de julho de 2017

Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


( Versos para Dante - Vó Sol 08/07/2017)

Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


( Versos para Dante - Vó Sol 08/07/2017)

Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


( Versos para Dante - Vó Sol 08/07/2017)

Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


( Versos para Dante - Vó Sol 08/07/2017)

Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


( Versos para Dante - Vó Sol 08/07/2017)

TODO MAR É AZUL...



Todo mar é azul se for da necessidade da criatura. Numa manhã fria de inverno ou num dia imenso de verão.
Porque o olho vê o que necessita.
A poesia faz verso para os necessitados. A Natureza também faz assim.
Porque a generosidade é de Deus. Ele sabe o que cada um necessita. Então, se sua cria estiver necessitada de azul, verá azul.
E um dia frio, mesmo muito frio, será um belo cartão postal para uma alma necessitada de beleza, de harmonia, de acolhimento...
Se a alma necessitar de azul, verá o mar IMENSAMENTE azul. Tão azul, que a voz de Deus será ouvida como versos que as ondas trazem, uma a uma.
Azul,
azul,
chega mais...
Mais...
Paz.

(Solineide Oliveira Patrocínio)
05/2017

A JANELA A ESPERANÇA E UMA CANÇÃO DO LEGIÃO URBANA



Houve um tempo de esperança... Os jovens estavam atentos e lutavam pelo melhor para seu país. O céu era tão azul e nas roupas. Os "botons" diziam palavras de ordem (e progresso).

A Bandeira sempre mentiu... Não. A Bandeira sempre lutou pelo melhor. Tão bonita... Linda! Verde e amarelo! Ouro, e floresta... Céu azul, paz de estrelas nos amparando a todos.

Mas olha só... "Veja o sol dessa manhã tão cinza".

A música toca longe, da janela de uma casa de lata, ouço a canção... Meu Deus! Aqui tão longe do meu país, ouço a voz implorando por mudança, melhoria e por consolo. Voz que pede um olhar! Somente um olhar...

"Somos tão jovens"... Assevera o cantor na canção...

Ele diz na música que "temos todo o tempo do mundo". Não temos mais Renato. Todo o tempo do mundo se foi. Agora é apenas o momento. Errou, passou. Só na próxima para acertar (próxima encarnação).

No entanto, não é desesperança que consigo alimentar em mim, ouvindo essa canção, que sai da janela dessa casa de lata. Não consigo alimentar tristeza com essa visão e audição.

O tempo paralisa em minhas retinas, e vejo um jovem dançando euforicamente. Meu Deus... Como não deixar a lágrima rolar em meu rosto. Uma amiga me perguntou: "o que foi Sol"?

Não expliquei. Porque não daria para explicar o que senti, vendo eu mesma ali naquela casa, entre alegre e descontente, dançando uma canção que rememorou toda minha adolescência.

(prece e lágrima)… O jovem se deixando levar pela emoção deixando-se lavar pela emoção. Canção de mais de vinte anos... Canção de agora…

SOMOS TÃO JOVENS ele grita! Balança as mãos imitando Renato Russo. Ele salta e grita: SOMOS TÃO JOVENS!...

O refrão é declamado em prece:

"Nosso suor sagrado

É bem mais belo que esse

sangue amargo

E tão sério e selvagem".

"Filomeno! Tá na hora de trabaiá! Caba cum essa gritaria".

O jovem sorri discreto. Ele ama sua mãe e diz: “tô indo mamá”. Filomeno cata a camisa no varal improvisado na janela (com uma fita de pano velho). Abaixa o volume do som e, certamente, vai se arrumar para ir trabalhar.

Ouço o violão dedilhado no fim da canção e também sinto um riso discreto e silencioso no coração de minha alma…

Ainda há esperança...

"Temos muito tempo".

(Solineide Oliveira Patrocínio)

08/07/2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Versos para Dante

Vida chegando
é vida abrindo
o sorriso da flor

(Dante, eu amo você)

Vó Sol.

(escrito por Solineide Patrocínio)

sábado, 11 de março de 2017

Versinhos para Dante

Antes,
sem Dante,
não sabia bem o que era
esperar a luz chegar.

(para meu netinho... 11/03/2017)

De Solineide (vovó Sol) para Dante (neto amado. Flora, minha filha, te amo!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

GRAVIDEZ PSICOLÓGICA DE PALAVRAS

Não tenho palavras novas.
Todas elas,
parece,
estão num Planeta
que não foi
ainda,
identificado.
Estou numa gravidez psicológica
de palavras...


Solineide Patrocínio Rodrigues

HUMILDADE

Humildade

Declarar-se a si mesmo
que é preciso
ser humano.
Declarar-se a si mesmo
que não somos
totalmente competentes.
Isso é a coisa mais
natural
do mundo!

Solineide Patrocínio Rodrigues

1º de Janeiro de 2018 e meu contrato particular com as palavras

Carta-Contrato para todas as palavras CONTRATANTE: Solineide, com sede na Rua dos Aprendizes da Terra, me ponho à disposição das pal...