sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

UMBIGO ENTERRADO


Onde o umbigo da gente é enterrado
a gente fica
brotando todo
santo
dia.
Fica a poesia da gente procurando
a mão
da gente...
Onde o umbigo da gente é enterrado
a gente fica procurando
a gente...
Depois de muito tempo,
a gente sente o umbigo aberto,
o corpo aberto...
A gente fica um pouco fraco,
enfraquece...
A cabeça fica mexida,
o corpo em riste,
parece que entorta...
O coração ora bate,
ora avoa...
Voa... procurando o umbigo
da gente...
Isso deve ser banzo,
procurar onde o umbigo da gente
foi enterrado
é banzo...
Mas a gente é do Mundo todo,
tem que abrir frente,
abrir caminho,
abrir novas ideias.
E enquanto os escândalos continuam,
a gente se escandaliza
com a estupidez de roubar tanto
e consumir mal pra caramba...
Bom é ser pobre assim
de dinheiro,
e entender sobre o
umbigo enterrado da gente
e dos irmãos...
Esses aí que roubam sem limites...
não entendem sobre nada,
de nada...
Acho que nem tem umbigo.
Bom é ter umbigo enterrado
no Brasil e amá-lo
amarrar o Brasil no coração
e nunca deixar naufragar
das navegações de nossa
vida!
(Autora: Solineide Maria de Oliveira do P. Rodrigues)
Luanda, 17 de Dezembro de 2016.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A TURMA DO FUNDÃO DA ATUALIDADE

Existia uma turma, que antigamente era, até, saudável. A turma do fundão. Pois que não atrapalhava a aula, eles existiam, estavam na sala de aula, faziam gracinhas, mas passar do limite era ir para fora do recinto ou para a Secretaria. E aí era suspensão mesmo. Conversavam e trocavam bilhetes e cigarros. Depois, um saía e o outro também, com desculpas diferentes. A professora alertava, educadamente, que o tema era importante e tal, mas eles faziam isso, frequentemente.

Hoje a turma do fundão se espalhou. Mas NÃO tem as características (até poéticas) daquela outra de antes. Porque a turma de hoje ri alto, troca confidências sexuais na sala mesmo, até bolina os que, atentos, querem mais do que celular de última geração ou qualquer outro apetrecho eletrônico, porque estes, os que não pertencem à patética turma do fundão de hoje (doentinha) sabem ler e escrever de verdade.

A turma do fundão de hoje em dia, escreve errado no celular e passa para o papel, para o trabalho da escola, para a apresentação oral. Essa turma (de coitados) são, na verdade, os alienados de nada. Porque, até para ser alienado, é preciso ter algum objetivo. Mas essa turminha, não tem. Não querem chocar, reivindicar, não querem chamar a atenção...

Há um enorme vazio em seus comportamentos, seria o comportamento autodestrutivo de não ser . O que poderia fazer seus cérebros funcionarem sem seus apetrechos enganadores? Temos de ter comiseração dessa turminha... Temos de ver o que fazer para salvar essas pessoas: zumbis da tecnologia... Tecnologia que está aqui para ajudar e não para arruinar com a vida de ninguém. Mas existem sempre os que vão pelo lado deprimente das tecnologias...

O homem de antes usava o porrete para caçar e, ao mesmo tempo, maltratar a mulher, mas eles não entendiam como entendemos hoje (alguns...). Não tinham acesso ao Conhecimento de hoje. Eram homens da caverna, idade ultrapassada... Os meninos e meninas da turma do fundão de hoje (deprimente turminha...) são justamente os que NECESSITAM destas aulas Jaciara Santos-Jaciara Santos - Coach de Carreira e Palestrante.
Um dia eles perceberão que estão indo pelo caminho largo, que leva ao vazio.

(Solineide M. de Oliveira do Patrocínio)


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Amizade das grandes...

Oi amigo Imbondeiro,
deixa ficar com você
um pouco.
Assim calados,
assim grandes
e calados.
Sabe amigo,
as pessoas
cansaram de ouvir.
Não aguentam.
Não querem.
Tenho uma amiga
humana,
que sofre do mal
da fala escrita
e falada.
Ela está fazendo
um
grande exercício
de silenciar.
Porque o Mundo inteiro
prefere falar
do que ouvir.
E quando calam,
os humanos,
é
mais
para ferir...
Eu vim descansar
um pouco
ouvindo
o
seu silêncio
enorme.
Ouvindo
suas palavras
enormes.
Silenciar
por
amor à Humanidade.
Sabe amigo,
essa minha amiga,
acha você muito
elegante.
E interessante.
Mandou - lhe um poema. Depois você lê...
(Solineide Maria)
18/10/2016

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O amor e sua mulher



O amor tem mãos muito sensíveis,
apareceu na cozinha e disse:
"cadê meu café"?
Sorri.
Abracei-lhe forte,
e disse que estava perto de estar pronto.
Tomamos.
Ele disse  assim:
"vim lhe visitar,
estava saudoso de você
minha amiga".
Contou-me
que queria escrever
sobre uma mulher,
uma mulher
meio fraca e meio forte.
"Um poema comum sabe"? (Declarou).
Respondi que poderia entender.
Ele leu o poema quase pronto
sobre essa mulher.
Exclamei que era lindo seu texto
e que ela é interessante.
Ele confessou:
"é minha mulher".
Eu lhe falei que ficava feliz
em saber que sua mulher é assim:
fraca e forte.
Ele sorriu e confessou outra coisa:
"eu amo minha mulher assim: forte e fraca".
O amor é completamente apaixonado por sua mulher.
O nome dela é Amizade.
(solineide)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NOVAMENTE O MASSACRE...


“Ele era marginal, mas tinha mãe”

Nunca esqueci essa oração, pronunciada por uma mulher derrotada, sentada no chão, em frente ao carandiru, extremamente trêmula…

Ontem, foram massacrados novamente, 111 presos em SP.

Anulou-se a punição dos responsáveis pela morte de 111 pessoas, aterradas numa cela. Eles aprensentaram tiros pelas costas e atrás do crânio.

Se houvesse EDUCAÇÃO PÚBLICA de qualidade, não haveria tanta prisão… Tantos presídios… Tanta cadeia. Infelizmente, isso pode não ser validado até o caos geral tomar conta de tudo, de toda a Sociedade.

E mesmo com EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, sofre-se o risco de “perdermos” algumas almas, porque “o homem é um ser integral”…

Enquanto não entender-se de que o homem é mais do que carne, ossos e nervos: que temos um Histórico Espiritual, todas as barbáries podem continuar ocorrendo.

Inclusive a barbárie de inventarem “spray contra imigrante”…

Quase ontem… Uma grande barbárie aconteceu, porque as pessoas tinham cor da pele negra… Outra barbárie começou, porque um moço com bigode pequeno, um dia, determinou que certa etnia não era “bacana”… E infelizmente, as grandes barbáries tem sempre seus simpatizantes.

NÃO SOU a favor de barbaridades, nem de barbáries. NÃO SOU afavor de ladrões e assaltantes, nem de estupradores e nem de nenhum humano que aja de modo desumano.

Sou a favor da EDUCAÇÃO. Da EDUCAÇÃO com qualidade. Da EDUCAÇÃO com Sociologia e Filosofia e POESIA!

Mas infelizmente, tudo o que é BOM e BELO para o ente popular, no Brasil, foi retirado… O que foi conseguido à duras penas, pelos intelectuais, pelos movimentistas do povo e a partir do povo, pelos educadores bem situados de outrora…

O que esperar então, de agora em diante? Se a possibiliadade de acesso à BELEZA, ao PENSAR CRÍTICO, ao olhar POÉTICO, a partir da ESCOLA (EDUCAÇÃO PÚBLICA) foram retirados? Sugiro leitura do livro Tistu… O menino do dedo verde… Autoria de Maurice Druon.

Deve-se deixar evidenciado, no entanto, que não estamos sós. Há um Poder Infinitamente Grande, que vela por todas as situações. Então acredito que tudo isso vai melhorar, porque está na Lei do Universal. Mas tenho o direito de me indignar… (texto de solineide maria)
Planeta Terra
30/09/2016.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

DA ARTE


A alma das coisas
é não ter alma nenhuma.
As coisas existem e ponto.
Isso não tem a ver com o Universo,
que não é coisa,
é OBRA.
O Universo tem alma,
ele tem Criador.
Coisa tem criador,
mas é um criador-criado
(às vezes mal criado).
Apenas a Arte tem alma,
porque é uma Coisa Maior.
É criada por criador-criatura,
mas vem dO Criador.
Porque a Arte,
é O Criador nos dando
um abraço,
um beijo,
a mão,
um tchan,
uma colher de chá
para nossa alma
quando esta,
se encontra em riste.
(solineide maria)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

VENTO E VIAGENS



Da janela o vento passa,
ele está lá nas árvores.
Ele está aqui, na sala,
zunindo...
Assopra umas palavras,
depois sai.
Ele fala que tudo é vento:
no rosto,
nas mãos,
na vida...
Tudo é vento,
e tudo é "simples",
como a moça que caminha
sozinha lá fora.
Ela sai todas as manhãs,
no mesmo horário.
Há outra moça,
que chega,
no mesmo horário.
Igual ao vento,
as moças passam...
Os pássaros dão vida às árvores
sem flores,
as nuvens passeiam,
o sol, mesmo escondido,
aquece.
O avião passa,
cheio de esperança e alegria.
Mas também pode levar
tristeza,
gente que viaja
para encontros tristes,
ou para nenhum encontro.
Talvez haja um passageiro
que vá ofertar pão
e outro vá para negociar
bomba...
No avião deve haver uma pessoa
que ame desesperadamente
e vá encontrar alguém.
E deve haver outra pessoa
que nunca viaja para encontrar.
Essa pessoa apenas viaja,
a negócios...
Ainda há muita gente que lê
(livro),
no avião.
Outros fazem leitura dinãmica
olhando a paisagem a partir
das janelas do grande pássaro de aço.
E da janela,
vejo que voar
é possível,
mesmo com os pés
no chão.
(De Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodrigues)
27/09/2016

domingo, 18 de setembro de 2016

Pedido de intercessão aos protetores dos palhaços




São Genésio

proteja Domingos.

Ele foi palhaço,

igual você,

antes de virar Santo.

Aliás,

São Genésio,

ele foi Santo aqui na Terra,

e dos Anjos inclusive.

Foi palhaço dos melhores,

pai amoroso,

esposo digno.

Ahhh,

Pede para São Filomeno,

outro Santo

protetor dos palhaços

ficar perto dele...

O Sr. sabe que no Além

deve-se sempre andar

bem arrodeado...

O Sr. sabe também que

essa coisa de vocativo São

e Santo

é apenas questão de ignorância.

Porque todo Bom Ser Humano

é santo.

E quando vai para o Além,

depois de um tempo,

vira ptotetor...

Ou volta para outras cenas

espetaculares...

Nos dois casos

Domingos vai dar um Show!

Escrito por

Solineide Oliveira Patrocínio Rodrigues

Para o Palhaço,

Comediante,

Ator,

pai maravilhoso e marido honrado DOMINGOS.


Escrito por Solineide m. de Oliveira do Patrocínio
Rodrigues.
19/09/2016.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O SILÊNCIO AMOROSO DE JESUS

Tão bonito o silêncio de José. Tão imenso. Tão Divino.
Imagino José recebendo a explicação do Espírito a lhe esclarecer sobre a vinda de Jesus a partir do útero de Maria.
E me emociona perceber que o silêncio de José ali se fez para sempre. Acolheu as palavras de Gabriel e ofereceu, suponho um chá. Para momentos grandes uma bebida calmante cai bem.
Mas José estava tra...nquilo na presença do Espírito Mensageiro.
Suponho que dissertaram sobre os acontecimentos vindouros e trocaram presentes.
José deu à Gabriel um porta espadas de madeira. Às vezes os Anjos usam essas ferramentas contra os espíritos recalcitrantes.
Gabriel adorou o presente e ofertou a Pedro um tecido onde poderia envolver-se, outro para envolver Jesus e mais um para envolver Maria, quando fosse necessário.
"Tecidos Divinos"... o Anjo explicou.
Depois da troca das prendas, os dois apertaram as mãos e se abraçaram. Despediram-se e antes de sumir na estrela mais alta José disse a Gabriel, alegremente: "Gabriel diga ao Pai que estou honrado em ter Este filho. Saber passo a passo da relação à alegria do parto... Cuidado pela mulher, que a todo nós segura".
Uma luz muito linda cobriu aquele carpinteiro poeta.
E o tão amoroso silêncio de José, o pai carpinteiro de Jesus, protegeu Seu filho e Sua Esposa, silenciosamente, para que Jesus pudesse cumprir a História da semeadura do Amor no Planeta Terra.

Solineide M. De Oliveira do Patrocínio Rodrigues.
19/03/2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Toda leitura tem preço


Toda leitura tem preço

ou 

O preço da leitura nA Menina que roubava livros.



Solineide Maria de Oliveira

Aluna da UESC - Bolsista CNPq



Professora Dra. Patrícia Pina

Orientadora



Sugere-se que cultura e leitura estão caminhando juntas há algum tempo – senão, quase todo o tempo. A vida parece tomar melhor significação quando vira palavra escrita: Liesel, protagonista do romance A Menina que roubava livros sugere saber disso.

Ser uma das linguagens com que é possível compor o mundo bastaria.

Bastaria? Não se pode concluir definitivamente. A evolução do ser humano supõe estar imbricada na evolução da escrita. E no que diz respeito a quem sabe mais, o homem ou o livro: existiriam controvérsias.

Quando lemos a narrativa de Marcos Zusak, nos deparamos com uma menina que não estaria qualificada para a escrita: “Desde seu aparecimento, a escrita exigiu profissionais qualificados, de que são exemplares os escribas egípcios, figuras que, apesar da origem plebéia e do anonimato em que foram mantidos, gozavam de privilégios”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN Regina, 2001, p. 25)

Liesel, nossa pequena escritora, ainda não sabia ler, nem escrever. No entanto, tal infante escreve sua própria história, e sugere ser tão boa, que a Morte gosta, se emociona, guarda e eterniza. Boa autora mesmo, dir-se-ia: conseguiu seduzir a Morte para sua leitora principal.

A construção de uma sociedade, logo de pessoas, tem muito mais a ver com leitura do que se supõe. Seu aterramento igualmente. Não à toa, Liesel procura construir sua própria leitura – sozinha. Escolhendo, tateando as palavras – improvisando possíveis entendimentos, afinal, toda leitura tem preço e

Tudo se traduz, transcreve, simplifica, banaliza, complica, recria, transcria ou transfigura. Nada permanece a primeira e única visão, nem para o autor, nem para o leitor. Cada leitura, assim como cada escritura, pode ser, simultaneamente, tradução e recriação. Quem lê, assim como quem escreve, está simultânea e necessariamente traduzindo, buscando significados, recorrendo a significantes, em busca dos sons e sentidos, ritmos e formas, cores e vibrações.

(LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina: 2001: p. 11)

Talvez por isso, Liesel escreva sua própria história, porque inconscientemente ou magicamente já o sabia. E escreve com tinta, folhas reaproveitadas de um livro que não lhe serviria. Um livro que guardava um discurso do qual ela não consagraria jamais.

Necessário que “se sinta o gosto amargo das perguntas” (ZUSAK, 2007, p. 338) melhor ainda, quando tais indagações são fruto de nossas próprias opções – ou falta delas.

Faz-se necessário também saber que nem toda leitura é doce resposta. Às vezes – ou muitas vezes – é número vencido, “é grupo de trabalhadores envolvidos na produção de livros” (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN Regina, 2001, p. 26). Talvez, poderíamos expor à pequena leitora Liesel, que tudo tem preço. Saiba cara menina escritora, que o livro percorreu longo caminho até encontrá-la na guerra daquele pulha. Muitos outros idiotas existiram:

Na Inglaterra, por exemplo, a rainha Maria Tudor, em 1557, concedeu, por intermédio de carta-patente, a exclusividade de impressão aos membros da Stationers’ Company, que, conforme Roger E. Schechhter, “dependiam do favor da Coroa inglesa para sua existência, de modo que somente publicavam materiais que não ofendiam as autoridades reais” (...) (LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina, 2001: p. 26)

Até você chegar a ler querida menina Liesel, aí nesse outro mundo terrível, já muito livro teria sido queimado. Outros foram escritos na intenção de se eternizarem cânones. Alguns o foram, outros não, mas quem disse que apenas os canônicos são boa literatura? Saiba que até você, pequena Liesel, saber “ler aquele livro horroroso das sepulturas, de olhos fechados” (ZUSAK, 2007, p.52):

Na França do século XVII os escritores não tinham independência financeira, tendo de recorrer ao clientelismo ou ao mecenato. Alain Viala anota que “o fenômeno da clientela é banal no século XVII e em redor de personagens ricas e poderosas, reúnem-se indivíduos ou grupos que se colocam a seu serviço em troca de diversas vantagens”. (LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina, 2001: p.34)

Esta infante corajosa, roubadora de livros e encantadora da Morte conseguiu bastante. Conseguiu aprender a ler, escrever, produzir seu próprio texto (discurso), tudo isso ou sozinha, ou com a ajuda daqueles que realmente a amavam. Antes “não apenas o universo étnico ficava limitado: os livreiros também eram penalizados quando divulgavam gêneros proibidos” (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 37).

Sempre ocorreram, no entanto, os que escrevem boas obras e aqueles que não o fazem (a exemplo do Mein Kampf). Outros escrevem obras divinais, que agradam inclusive a leitora Morte. No mundo, parece, sempre houve dessas e de outras.

Sobre o autor, o que verificamos é que em geral esteve na mão de outros, “o reconhecimento de que o autor do texto é o dono da obra e que esta propriedade, tal como qualquer outro objeto de valor, pode ser transmitido a outrem tem conseqüências dignas de nota”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 59).

Os poetas também deram preço à suas poesias, “na exposição franca e direta do interesse do poeta em ganhar dinheiro, quebra-se um dos mitos da tradição literária ocidental, ruptura responsável pelo bom humor e originalidade dos versos”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 79).

Dessa forma, o ideal seria imitar a pequena Liesel: escolher nossas leituras, ler, mas cautelosamente, porque “as palavras pesam muito” (ZUSAK, 2007, p.368) e um livro, você sabe, é uma obra que pode ser “tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes”. (ZUSAK, 2007, p.382)



LAJOLO Marisa; ZILBERMAN Regina. O preço da leitura: Leis e números por detrás das letras. 1ª edição. Rio de Janeiro: Ática, 2001.




MENSAGEM


Estamos do teu lado todo o dia. Não temas as agruras da jornada. Estás mais amparado do que pensas, segue em paz e caminha armado de pensamentos positivos. Não seja o primeiro a piorar a situação que te afliges. Seja sempre o primeiro a rogar as bênçãos e a diminuição das dores. Estás amparado, não duvides. Acalma teu coração e segue em frente. Tua estrada é mesmo a retidão. É sofrido mesmo andar desarmado das armas da competição que tanto o mundo manifesta afeição. Não ouças as críticas, não seja detentor de mensagens que não te ampliará o caminho por Jesus iluminado. Anima-te e segue e segue e segue, e segue. Jesus é o teu amparo, o que mais queres? E nós como ele estamos trabalhando.
Alaor
(Escritor Espiritual)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A TOCHA BRASIELIRA... (ATOCHA DIARIAMENTE)

A Tocha quem carrega,
é o povo...
Todos os dias...
mas ele se esquece
quando consertam um trecho
de uma capital
para uma festa...
Nem lembra que falta pão...
Esquece que falta ÁGUA...

O povo também,
apaga tochas naturais...
Ai, ai... Brasil...

A Tocha da indiferença à Saúde,
quem apaga?
A Tocha da dignidade
na Educação
quem acende?

A grande Tocha acesa
no ......... do brasileiro pobre,
trabalhador,
professor,
do médico no Hospital Geral do RJ.
quem apaga?
Quem pagará
esse show (nem tanto assim...)
durante 10 anos???????????????????????????????????????

( Poema de SOLINEIDE M. DE OLIVEIRA DO P. RODRIGUES)

sábado, 6 de agosto de 2016

Românticos…. Realmente são uma espécie em extinção…


Soa tão prematuro o desencarne do compositor, cantor e intérprete, mas, sobretudo, do POETA, VANDER LEE….

Apresenta-se como um gênero de apagão…. Daqueles grandes…. Daqueles no qual ficamos com medo e pensamos que o Mundo vai acabar…

O que se pode dizer é que ontem houve mais um grande blackout de sensibilidade, no Planeta Terra.

Para aqueles que não conheciam seu trabalho: meus pêsames. Entretanto, também posso consolá-los, porque a poesia dele ficou, para que possam conhecer e desfrutar da sensibilidade de um moço de 50 anos, brasileiro, mineiro, simples, discreto, mas extraordinariamente emotivo.

Talvez por causa da sensibilidade, tenha desencarnado por culpa de um enfarto… Os sensíveis sofrem disso, de alta atividade do coração…

Isso não é defeito, não… Nunca…

Essa capacidade de sentir tudo de modo maior, isso, de sentir antes e de sentir sobremaneira, é qualidade. Porém, existem os perigos iminentes, num mundo onde a poesia tem perdido para a vulgaridade…. Desse modo, enfartar é um dos perigos que os românticos mais sofrem…

Podem até “manchetear” stress, mas o stress também é efeito sofrido pelos sensíveis…

Embora tenha passado tão rapidamente pelo Planeta Terra, o poeta Vander Lee deixou cânticos que nunca vão morrer. Jamais. Registro cânticos, porque canções parece não denominar a poesia desse rapaz.

Talvez, querer entender a insensibilidade, tenha lhe deixado muito cansado e contribuído para esse desenlace tão fugaz… Talvez…

O apagão de sua ausência Vander Lee estimado, será sentido agora e a partir de agora. Porque muitos terão acesso à sua poesia, infelizmente (…e, felizmente), apenas, a partir de agora… Exatamente nesse momento, no qual seu Espírito já foi para outra expedição poético-astral. Rogamos que, para uma Morada, onde Deus possa lhe ouvir de mais perto…

Talvez você tenha razão…. Românticos sugerem ser uma espécie em extinção…

Em minha “desimportante” opinião: românticos, são, realmente, uma espécie em extinção. E isso soa como uma completa (e pesarosa) realidade….


Luanda, Planeta Terra - 05/08/2016

 (Com carinho…

De Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodriques
Para Vander Lee).


terça-feira, 2 de agosto de 2016

O FERRO-VELHO DO AMOR


As coisas sem importância
são as que mais me chamam
atenção.
Gosto,
muito mesmo,
delas...
Um botão desencontrado,
um desenho amarelecido,
esses pequenos pedaços de papeis,
jogados no fundo da gaveta...
De todas as gavetas...

As coisas mais desprezíveis:
uma tesoura cega...
Aquele batom rejeitado,
por qualquer motivo...
Uma história escrita com amargor,
mas bela...
Sapatos velhos...
Todos os tipos de
sapatos gastos...
O amigo mais quieto,
o mais franzino...
A colega menos amada,
e a mais calada...

Sobre amizades tenho tomado
uns goles amargos...
Tenho sentido que o Status
afasta os amigos...
Mas eram amigos?
Duvido...

O que menos importa
me importa...
Talvez por ter um espírito
ainda
desajustado
àquilo que chamam de
perfeição...


Para Flora.
(assinado: mamãe
Poema de Solineide Oliveira Rodrigues)
Luanda em 03 de Agosto de 2016.

sábado, 30 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.


ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.





Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodrigues[1]


solpoesiaeprosa.blogspot.com





UMA POSSÍVEL INTRODUÇÃO



Pode-se dizer que a admiração e, ao mesmo tempo a desmesurada falta de entendimento sobre como pode um poeta “ser” tantos ao mesmo tempo, podem estar presentes nas leituras, por vezes pueris, que os leitores mantem com frequência, ou não, dos poemas e prosas do imenso poeta português Fernando Pessoa.

Interessante que seja exposto que uma leitura de modo mais crítico, da obra de Fernando Pessoa, sugere solicitar, por parte do leitor, um envolvimento penetrante. Talvez, após a quinquagésima leitura de algum título do poeta, aconteça o momento chave, aquele que poderá desvendar o olhar interior de quem lê Pessoa. Supondo-se que as leituras realizadas anteriormente, tenham sido ensaios de leitura do que poderia vir a ser Fernando Pessoa.

A partir de leituras de obras vinculadas ao Espiritismo, mais especificamente voltadas para o fenômeno de Psicografia, teria sido possível associá-la ao que ocorria, com determinada frequência, com o poeta Fernando Pessoa. Desde então, tornou-se aceitável perceber que, talvez, Fernando Pessoa tenha sido um Médium de Psicografia, sem que este soubesse ou cresse e mesmo se soubesse e acreditasse, em sua vida particular. Desse modo, ampliou-se a vontade de ler seus escritos e, ao mesmo tempo, examinar sobre o tema Mediunidade de Psicografia.

A investigação em nada desacredita do talento inabalável de Fernando Pessoa: jamais. Trata-se mais de outra maneira de entender as muitas falas de um poeta. E, ainda que seja a fala de um único homem, Fernando Pessoa, pode ser forma de falar sobre dois assuntos muito atraentes e igualmente importantes: a poesia e a psicografia.

Pessoa, aos catorze anos de idade já observava com nobreza própria do olhar que se origina, apenas, dos olhos da alma de um deus:

“Quando eu me sento à janela,

pelos vidros que a neve embaça

 julgo ver a imagem dela

que já não passa... não passa...



Os versos acima, escritos na puberdade do vate, indica tratar-se de uma composição séria, apesar de o seu autor, contar apenas com catorze anos de vida física. Pode ser (nos versos expostos) que o poeta esteja a declarar-se apaixonado. No entanto, como deve ser toda leitura crítica, o exame dos versos deve-se voltar para o que o eu-lírico diz, e não, sobre o que o poeta sente, ou por quem sentiria. O sentimento exposto na composição poética, a forma como molda o corpo do sentido, a maneira como discorre sobre imagens através das palavras, é que são o objeto de investigação do pesquisador apropriado.

É indiscutível que janelas e neves e vidros são elementos que facilitam a elaboração poética de qualquer texto. Poderia o leitor refletir que seria fácil escrever tais versos, e, além disso, poderia (o leitor) imaginar que se trata de versos não tão ricos apesar de levar a assinatura de Fernando Pessoa.

Porém, lembre-se que tais versos foram compostos quando o poeta estava a descobrir as janelas do mundo exterior e as de seu mundo interior. Idade em que o poeta estava a perceber a neve incrustada na alma dos amores que não vingam... Idade em que o menino Fernando António Nogueira Pessoa, começava a sentir que, muitas vezes, o amor poderia ser frio e acromático, tal qual o vidro. E que algumas vezes, o ser amado poderia ser mantido longe a partir da imagem, essa esperança forte e frágil ao mesmo tempo.

Seria possível estimar que o poeta, fascinante desde sempre, além de ser gênio em seus versos e prosas, conseguiria lidar de modo muito poderoso e leve (ao mesmo tempo) com o olhar. O olhar para o outro, para aquele que passa diante de si, ou através de uma janela. Talvez, por estar apaixonado initerruptamente. Talvez por estar e não estar. Talvez por ser e não ser deste mundo físico, consecutivamente.



UMA POSSÍVEL ANÁLISE



O próprio poeta, Fernando Pessoa, dá pista de que algo de “excelso” lhe ocorria, quando escrevia, em carta encaminhada à Casais Monteiro: (...) “foi em 08 de março de 1914, acerquei-me de uma cômoda alta, e, tomando o papel, comecei a escrever de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir”. A partir daí, poderia ser sugerido então, que o poeta seria um médium psicógrafo ou escrevente.

Sobre os Médiuns Escreventes ou Psicógrafos, o Espiritismo esclarece que

“de todas as formas de comunicação, a escrita manual é a mais simples, a mais cômoda e, sobretudo a mais completa. Todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque ela permite estabelecer relações tão permanentes e regulares com os Espíritos, como as que mantemos entre nós. Tanto mais devemos usá-la, quanto é por ela que os Espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de sua perfeição ou de sua inferioridade. Pela facilidade com que podem exprimir-se, dão-nos a conhecer os seus pensamentos íntimos e assim nos permitem apreciá-los e julgá-los em seu justo valor. Além disso, para o médium essa faculdade é a mais suscetível de se desenvolver pelo exercício” (O Livro dos Médiuns – Allan Kardec).



A Psicografia é um fenômeno espiritual e físico. Quando ocorre, o Médium (como se chama a pessoa que possui tal “capacidade”) é inspirado por um espírito que lhe recomenda as ideias. Pode acontecer de o espírito lhe dirigir a mão, como no caso de Chico Xavier, que também era Médium Mecânico, um dos mais raros.

Psicografia é uma mensagem de um espírito, não é do Médium. Pode acontecer através de inspiração por meio dos sonhos (quando o espírito do Médium se desdobra). Pode se dar, ainda, de modo que o espírito narra para o Médium, ao passo que este escreve o que ouve.

Fernando Pessoa seria Médium de Psicografia (por inspiração), ao mesmo tempo de Psicofonia (fenômeno que se dá quando o Médium ouve o espírito) e de vidência (quando o Médium ouve e vê o espírito). Tais categorias serão explicadas no decorrer da análise, ao mesmo tempo em que seja analisada a carta do poeta Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro e alguns poemas previamente abstraídos para a tarefa de buscar indícios do que poderia vir a ser prova de Mediunidade de Psicografia no ilustre poeta português.



ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.



Problema

Os tantos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa, poderiam ser entes desencarnados a transmitir poesia e prosa, através da mediunidade de psicografia?



Hipótese

A hipótese é a de que o poeta Fernando Pessoa teria a capacidade de ser Médium de Psicografia.



Objetivos

Geral: analisar a possível ocorrência do fenômeno de Psicografia em alguns poemas dos heterônimos de Fernando Pessoa.

Específico: investigar de que maneira o fenômeno acontecia com o poeta Fernando Pessoa.





Justificativa

A partir da leitura de duas cartas de Fernando Pessoa ao crítico Adolfo Casais Monteiro, surgiria indício de uma possível Mediunidade de Psicografia no poeta Fernando Pessoa.





BIBLIOGRAFIA



PESSOA, Fernando. Obra poética VII. Poesias inéditas e poemas dramáticos. Editora L & PM. Rio Grande do Sul, 2014.



KARDECK, Alan. O LIVRO DOS MÉDIUNS. Editora Federação espírita de São Paulo, 2014.



______________ O Evangelho segundo o Espiritismo. Editora FEB. Rio de Janeiro, 2006.








http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina021_02.asp


(AVISO: O WEB artigos publicou. SOLINEIDE)



[1] Poetisa. Professora de Produção textual (em Língua Portuguesa do Brasil). Professora de Literatura. Pós-Graduação em Planejamento Educacional e Docência no Ensino Superior.