domingo, 14 de dezembro de 2014

"Só dou informações da Claro"... (Bete e seus foras...)

"Você pode me infor..." Abruptamente foi interrompida pela moça de voz grave a dizer que: "informações só da Claro".
Bete não soube o que fazer, mas achou melhor seguir, ainda que indignada, porque falta de educação indigna os sensíveis...
Ainda olhou assim de soslaio para ver se alguém havia visto que ela tinha sido agredida e seguiu, lentamente, sem sentir as pernas...
Avançou junto com o fluxo de pessoas para o Poupatempo (SP). As placas indicam aos transeuntes onde fica tal instituição. Bete pensou: "nem precisava passar por tamanha falta de educação".
Nesse momento, Bete ouve uma música muito linda e agradece por ouvi-la. Uma música clássica linda, a Ave Maria de Shubert.
Bete achou muito boa a ideia do Metrô de colocarem a disposição no seu Serviço de Som, música clássica.
Eis que de repente... Uma boa surpresa acontece! Não era gravação nada! O som que enfeitava os corredores do Metrô saía de um jovem violinista que se apresentava solitariamente num canto da saída de uma das saídas do Metrô Sé.
Bete parou. Agraciada e mais uma vez agradecida parou. Ouviu Shubert em sua Ave Maria belíssima!
Foi um bálsamo maravilhoso! Aqueceu a alminha cansada de Bete num dia que parecia persistir em aborrecê-la.
E Bete agradece a Deus, a Shubert, a Zeus, Bach, Lizt e Shubert... E a todos os Amigos Espirituais da Arte.
E nossa amiga fica sem saber se estava na Sé ou Nosso lar... Que importa? Importa que ficou CLARO que a ARTE aclara, salva e compensa seguir.
E claro que Bete ficou com dó da moça da "Claro" porque ela não pode ouvir a música linda que enfeitava a Estação Sé (onde ela trabalha tão mal paga e mal amada).

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
SP - DEZ. 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ninguém "É" nervoso

Tenho vários nervos. Um montão deles em mim. Mas isso, todos temos.
O que acontece é que uns seguram seus "feixes" (que parece facho) de modo mais sereno. Outros não.
Um dia um aluno perguntou se nunca ficava nervosa, depois de tentar me tirar do sério, respondi: "Nesse momento estou nervosa com você". Ele sorriu e perguntou se eu queria café. Sorri e asserenei.
Acredito que existam pessoas que não passam pela experiência do nervosismo, porque já vieram com dose extra de "calma". Isso vem de berço também.
Alguém que foi muito criticado, ou rejeitado, ou vilipendiado ou... Desde a infância, ou desde o útero, não poderia ser uma criaturinha muito calma (se bem que lembrei-me de Chico Xavier agora...)
Mas Chico Xavier teve um montão de outras vidas anteriores onde não era calmo. Por isso, meu caro Kardec, me aguarde que um dia chegarei à calma e sabedoria de Clara de Assis. (rsrs)
Estive mais nervosa há uns tempos atrás. Adoeci a pele. E uma médica me disse: "Mas para quê isso? Escreva! Você não é escritora"?
Corrigi a médica, assinalando que era mais poetisa que escritora. Ela então sorriu e disse: "E é brincalhona também"...
Comecei a escrever um livro. Ele está guardado para a hora do parto. Já nasceu, tem um ano e cinco meses, mas será publicado na hora certa.
Dentre um dos versinhos, existe um que diz muito sobre aquele momento, e percebi que havia humor ali. E dei de aproveitar-me disso, mas sem fazer como gaiatice (escritos gaiatos são muito chatos...).
"O homem-cão não queria casar
mas não queria largar

o osso".
O poeminha metido a Haicai acima é meu e está no livrinho que escrevi. Coloquei, então, para fora, o nervosismo daquela época de modo físico: escrevendo. Foi muito bom!
Quando comecei a escrever esse livro, não sabia que ficaria engraçado, e sério, e triste, e alegre... Realmente foi uma ótima surpresa. Dediquei à médica homeopata que me atendeu e aos que estão (porque um dia seremos todos serenos) nervosos. Dediquei também aos que tem nervos de aço.
Hoje, conversando com minha irmã Neide, lembrei desse livro-diário. Ela sempre me acrescenta. Quando estou com Neide, cresço uns 2 centímetros por semana. Então, nesse momento, já não mais tenho 1.50...
"Você é nervosa" - ela me disse. Eu respondi que não. Ela insistiu. E ficamos nisso. E depois que ela saiu, eu sorri... Lembrando que somos umas tolas...
Não somos nervosas Neide, estamos. Isso vem do berço de nossas vidas. Já fomos muito mais. 
Você não É nervosa. Ninguém "É" nervoso... Nós ESTAMOS. Somos Espíritos em progressão. 
Um dia, seremos muito calmos e serenos feito Madre Teresa, Santa Teresinha do Menino Jesus, Clara de Assis (que sou mega-plus-fã) e todas as outras criaturas que já são exemplo de calma nas calamidades dos curtos-circuitos dos feixes de nervos que possuímos.

Te amo.
SOLINEIDE MARIA
27-11-2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Flora (uma cartinha de amor)

Minha filha,
nesses 17 anos em que nos conhecemos e compartilhamos o crescimento dos nossos Espíritos, estou feliz de ver, daqui, de longe, como você progrediu.
Como você está bem... E como você é linda, mas linda mesmo, na alma.
Passei por ruas onde passamos quando moramos aqui em São Paulo. 
Ouvi sua fala de menina que queria estar comigo sempre.
"Mamãe, se for longe, mesmo assim, eu vou". Você me dizia. E você ia comigo...
Andamos ruas e ruas juntinhas. Você falando coisas de criança e eu sorrindo de suas palhaçadas...
Você perdeu, um pouco, esse dom, mas continua linda na alma.
Você me ensinou muito. Aprendi, por exemplo, que devo dar mais razão a mim mesma e que ouvir os outros, só se for para me melhorar.
Você sempre me diz:
"Mãe, a felicidade da gente incomoda aos demais"...
Amanhã lhe conto mais sobre minha saudade e meu amor por você.
Sua mãe

(Solineide Maria)

Hoje a poesia quer café...

Hoje não tem poesia,
tem café.
Quer?
Com ou sem açúcar?
Adoçante?
Hoje a poesia quer tomar MUITO,
mas MUITO café.

Solineide Maria

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Descuido

Nunca mais deixo as unhas por fazer... Este foi meu pensamento, naquela imensa sala decorada a rigor.

Solineide Maria

Solicitação

Deixe-me ir
por favor...
Preciso abraçar meu amor!
Preciso abraçar meu amor...
Deixe o meu amor me abraçar.


Solineide Maria
(Para marido...)

sábado, 22 de novembro de 2014

Amour Movie Trailer (Cannes 2012)

"AMOUR" por encomenda

O vendedor de DVD
peruano
estava a todo vapor
a vender sua mercadoria.
"Tem Amour"?
Ele então perguntou-me sobre a obra
descrevendo o filme
e prometeu conseguir.
Empolgado assinalou:
"Película muy bella,
he ganado un Oscar"!
Prójima semana sí"?
"Por supuesto que sí".
Respondi.
Então, em seu caderno,
anotou o a encomenda.
São Paulo tem disso,
vendedor de DVD
que indica filmes europeus,
brasileiros,
alternativos.
E que sabe descrever
os pormenores das tramas.
Y los admira.

De Solineide
(Feira da Vila Guarani)
22-11-2014

ALICE

Ela me olhou,
olhos castanhos claros e miou:
"vem aqui".
Ela queria comida,
e água.
E carinho...
Alice é assim,
uma gata calada,
carinhosa,
cativante.
Depois se aquietou
e participou do Evangelho da manhã.
Só não comentou
porque as palavras de Jesus
para ela
não carecem mais
serem comentadas.

Para Alice
Gata de minha irmã Neide.
22-11-2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

DIFÍCIL NÃO É MORRER, É ESTAR MORTO

Difícil não é morrer,
é estar morto.
Morto enquanto caminha
pela cidade...
Braços despencados,
sem força para o adeus
à amiga que acena
ALEGREMENTE...

A amiga não ficou triste
ela entendeu
(parece)
que o amigo,
aquele que apenas
sorriu frouxo,
estava morto de alegria.

Difícil não é morrer,
porque a vida segue...
Difícil é estar morto.
É não ver que as coisas
estão a despencar,
e não se nota...

Difícil é a verdade ali,
ali, ali,
na ponta do nariz,
e não enxergar...

Essa morte-vida
é que é difícil...
Ela é mais forte que a outra,
a que veste preto e porta foice
(no desenho dos homens).

Por isso é que DEUS criou
as palavras,
para serem um clarão à mais
para a alma dos mortos vivos...
Mas tem que ter olhos para ler.
E ouvidos para escutar...

Solineide Maria
(Catarina está aqui)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Versos de amor inspirados por Florbela Espanca



Amo este homem
que Deus me enviou;
e toda sua paz
recebo com amor.

Amo-te, e sou tua,
para a eternidade.
Sinto a alegria
dos Arcanjos na cidade.

Amo-te oh Luz!
Clarão da Divindade.
Alegria ansiada.
Amparo em meia idade...

Solineide Maria
Para Jorge Rafael

MATERNIDADE

Espero você...
De tão esperançosa,
já sinto você...
Daqui
da janela
da eternidade
do meu útero Divino.
Te amo meu flho,
minha filha...
Irmãozinho ou
irmãzinha
de Flora Maria.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Importante é ser ponte

Em toda parte o serviço espera seu coração. Em todo lugar há quem possa abraçar e amar.
Começa por amar os de sua casa: pais e irmãos, filho, filha.
E se não consegue, ainda, fazer tudo o que pode, faça o melhor que pode: sempre com o coração e de coração.
Importante é ser ponte, jamais, em condição alguma, seja impedimento.

Solineide Maria
Se não consegue ser paz para o irmão, onde se encontra, seja amor que ama de longe.

Solineide Maria

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Conselhos para a harmonia interior

Entre a paz
e a agonia
escolhe
a harmonia.

Alivia teus pessoa,
trabalha, segue
e confia.

Há trabalho em toda parte.
Todo o mundo é para isso.
Ama,
serve e vai e passa.
Deus só quer de ti:
o amor que ofertas
aquele que sente dor.

Consola e passa.
Se te ferem,
se te caluniam:
perdoa e ora.

Se agora a realidade
lhe conduz a saber de calúnias:
perdoa e ora.

Deus sabe de todas as coisas:
ama, silencia, trabalha,
segue e confia.


Solineide Maria
(Inspiração: Catarina)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

NÃO ME PERGUNTEM MAIS NADA SOBRE A ELEIÇÃO (o voto é secreto, mas o respeito deve ser divulgado)

Desde quando UMA NOVELA DE UMA REDE DE TV foi “lançada” percebi a mensagem subliminar em sua logomarca (?). O nome Brasil vem com a propaganda eleitoral – escondida – em 45 NO NOME BR45IL.
Olha, falando sério? É um descaramento sem tamanho. Não me importa em quem cada pessoa votará, mas eles estavam fazendo propaganda eleitoral o tempo todo; e bem antes das eleições ocorrerem. Ninguém viu isso?!
Só a partir daí percebe-se o quanto o brasileiro ainda é “vulnerável”...
Infelizmente ainda deixamos que nos façam de fantoches de uma mídia pretensiosa, preconceituosa, perigosa e cínica.

Por: SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
24-10-2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PORQUE SOU PROFESSORA

Senhor,
porque sou professora
venho pedir-Te:
ensina-me a ser eu mesma.
Sem interferências externas.
Sem louvações desnecessárias.
Ensina-me a ser eu mesma,
mesmo na pressa...
Mesmo que doa,
mesmo que sofra,
mesmo que seja aquela
pela qual a Sociedade
não se interessa.
Senhor...
porque sou professora
venho pedir-Te
que minha profissão
seja para Ti.
Que eu possa ser
a professora pequenina
mas cheia de amor.
E que um dia meu Jesus,
possa ser eleita por Ti
a menor professora de todas
no meio de grandes professores.
Jesus,
porque sou professora
venho pedir-Te:
ensina-me a ser mais forte
contra os leões da mentira...
Contra os leões do IDEB...
Contra todos os leões
que são contra a Educação...
Mas que comece por mim, Senhor...
Também em mim há leões:
leões do desânimo,
da "desalegria",
do melindre,
da falta de harmonia,
de olhar a sala com 1.000 pessoas
e nenhuma (quase)
alminha interessada...
Senhor,
porque sou professora
venho agradecer
e oferecer
o que tenho...
Tenho umas leituras,
uns Planos de Aula,
um Net ultrapassado...
Uma bolsa de pano
(onde levo uns livros),
e esse coração poético...
Te amo meu Irmão,
obrigada por me deixar servir
"mesmo em tendo apenas
duas mãos e o sentimento do mundo".
Mestre Amado,
porque sou professora
venho oferecer minhas dúvidas
e mostrar as certezas que já tenho:
quero estar onde Tu estejas,
e quero ser melhor
para fazer melhor
qualquer tarefa que seja.


SOLINEIDE MARIA
20-10-2014

sábado, 18 de outubro de 2014

"Para que tá feio"!

Ontem, na Palestra de Nazareno (Palestrante Espírita renomado internacionalmente), para o encerramento, ele nos presenteou com um mini-documentário da vida de Tony Melendez (no me digas que no puedes).
Tony não tem braços e aprendeu a usar os pés para tudo. Para tudo! Aprendeu a tocar violão e cantar maravilhosamente.
Tony casou-se a adotou duas crianças... Vejam! Exemplo de que somos todos úteis para o Planeta e que queixar-se é "falha grave". Queixar-se do irmão então...
Além de outras ricas coisas, Nazareno nos incentivou a parar de queixas e de medos que, afinal, são falhas, e nos atirarmos sem hesitação ao melhor que podemos realizar enquanto Seres de Deus reencarnados para a ASCENSÃO.
O Tema da Palestra foi "A Família" e nossas dificuldades com parentes. Dificuldades no casamento, relação pai e mãe, irmãos etc.
Na verdade, Nazareno discorreu sobre muitos temas num só. Deu-nos uma dose de ânimo quando nos rememorou a IMPORTÂNCIA do auto conhecimento.
Aliás, o palestrante bateu algumas vezes nessa tecla: autoconhecimento!
O autoconhecimento, para ele, é a chave de toda boa relação e relacionamento. Inclusive com o Mundo.
Pela manhã, quando conversava com uma irmã querida, disse que precisa enviar um projeto de programa de TV para algumas Redes. Um programa onde a gente discutisse temas que se fazem inconcordáveis de tão aberrantes.
Discutíamos, por exemplo, a falta do ensino de Libras durante o Curso de  Licenciaturas... Quando Licenciatura "forma" professor...
No meu programa imaginário, discutiríamos esses problemas assim, digamos, injustificáveis... E aí, eu e o telespectador discorreríamos sobre os temas, por telefone, internet, carta, pessoalmente... Sobre muitos temas polêmicos de faltas e falhas variadas em nossa sociedade contemporânea.
Para o primeiro programa, se começasse agora, poderíamos discutir sobre a eleição, dizendo um "para que tá feio" grande para a "esculhambação" mútua no programa eleitoral gratuito (que deveria ser pago pelos partidos).
Mas ontem a noite, o para que tá feio eu dei para mim. Quando percebi que tenho tudo e muitas vezes reclamo. Muitas vezes me paraliso e não poucas vezes me boicoto...
O programa "para que tá feio" deve ser inserido em nossas vidas... Quando percebermos que estamos extrapolando as raias do descontentamento e da queixa contra o outro.
Aliás, queixar-se do outro é sinal de alerta de que precisamos voltar nossos olhares para DENTRO DE NÓS... Outra lembrança de Nazareno.
Ele disse algumas coisas que já lemos, mas são coisas necessárias de serem rememoradas, para, um dia, afinal, praticarmos em nossas vidas.
Para que tá feio saber e não aplicar. Para que tá feio...
Para que tá feio não amar de verdade, ficar no tatibitate, abraçar sem viço e sem vontade, dar de ombros para quem necessita de atenção...
Para que tá feio dizer que é Espírita e não ser Cristão...
Para que tá feio se dizer Espírita e não ser caridoso com as imperfeições alheias, que ao cabo, temos todos nós...
Para que tá feio não se aprimorar nos estudos SÉRIOS e levar a sério a vida. Ela deve ter uma programação séria: o autoconhecimento e progressão espiritual.
Para que tá feio de dizer que não pode...
Bom dia a todos!

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
18-10-2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Carta para Jorge em vésperas de Eleição

Meu amor,

olha amor... Eleição? Não sei se o vocábulo está alcançando o que acontece nesse momento no país.
Eleição é alguma coisa entre alegre e animadora. O que se estabeleceu, no entanto, foi um capítulo entre triste e desalentador...
Vemos que ser Político com a honradez que o termo solicita, não foi assimilado pelos "homens" que se arvoram em tal caminhada.
E no povo brasileiro há uma espécie de medo de votar entende? Medo de escolher... Medo.
Há em mim, uma espécie de vontade de esquecimento...
Em mim, há uma corajosa vontade de ir até o final do capítulo, pois que sou leitora que não desiste de uma história, ainda que o enredo não seja machadiano.
Não sei lhe explicar meu amor, o que acontece...Você me perguntou sobre o tema e, sinceramente, não sei lhe dizer com noção superior. É como um texto mal elaborado...
Um texto onde chegam pedaços fragmentados de todos os lados. Não tem coesão, falta coerência... Há desrespeito às margens (direita e e esquerda)...
Sonho com o dia em que iremos contentes para as urnas!
Lembro-me de quando meu pai separava a melhor calça e a mais bonita camisa. Minha mãe usava batom (que me recorde ela usou apenas no casamento das filhas).
Não sei explicar... Mas havia neles uma espécie de satisfação por estar a ir votar naquele que a consciência ou simpatia, elegia, antes de ser eleito pelas urnas. E se não fosse eleito, havia sido eleito pessoalmente, então não havia motivo de contendas ou "feisses" dialogadas, como está ocorrendo atualmente pelas Redes...
Para aquela satisfação é que meu pai e minha mãe acordavam à caminho das urnas. Meu pai hoje tem mais de 80 e há algumas Eleições já decidiu não eleger mais a ninguém. Minha mãe, da mesma forma. Eles dizem que é perda de tempo...
Carlos Drummond sempre me salva, quando não tenho palavras plausíveis:
“Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.”

Desculpe meu amor, se não encerro de modo plausível minha carta (?), mas recorro à poesia que sempre me abriga e acolhe. Um beijo.

Sua para sempre.
Solineide Maria 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

DO SILÊNCIO DA POESIA



A poesia,
às vezes,
chega calada
e sai em silêncio...
Mas nunca deixa de falar
ao coração...
Solineide Maria.
(Hoje, aqui e agora)

OUTRA ESTROFE PARA A PALAVRA



Não responda
se não tem certeza.
Uma palavra mal dita
é uma palavra maldita...
SOLINEIDE MARIA
(Hoje, aqui e agora)

OUTRA ESTROFE PARA A PALAVRA



Toda palavra de amor
quando é revestida de luz
sempre acessa a alegria
no coração de um irmão.
Toda palavra de amor
escrita ou falada ao próximo
é palavra concebida
no coração de Jesus.
Palavra com amor não fere,
nem danifica.
Palavra com amor vivifica.
(Solineide Maria - Hoje, aqui e agora)

MAIS UMA ESTROFE PARA A PALAVRA



A palavra mãe
foi um embaralhamento
da palavra ame.
Ideia de Deus!

(Solineide Maria. Hoje, aqui e agora)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

GABRIEL MUSSE: A VOZ QUE CURA CANTANDO

Não é sem motivo nobre que as mães CANTAM para suas crias dormirem tranquilamente, ou conseguirem adormecer mais calmamente. A voz da mãe dá ao bebê, a segurança de que, mesmo dormindo terá sua companhia. Também acredito que a voz da mãe, cantando, facilite o sono da criança, porque é uma voz familiar.
Quando minha filha caía e se machucava, ela corria e pedia à sua vó materna que cantasse uma canção diretamente no machucado. Minha mãe então, calmamente cantava uma cançãozinha simples, lá da infância dela, para acalmá-la (com a mão imposta no local machucado).
Como eram as canções que Maria de Nazaré cantava para o Menino Jesus? Maria de Nazaré deve ter embalado O Divino com as mais ricas palavras de amor e gratidão...
Assim crescemos. Entre vozes que cantam para nos acalmar, vozes que nos falam através de canções para acrescentar em nosso Ser, ouvindo vozes que curam...“O exercício da música é também uma experiência fisiológica, psicológica, mental, com o poder de nos fazer sentir” (...) Quem diz isso é Sekeff  (musicóloga, musicista, professora, pedagoga musical e pesquisadora). Acredito piamente nisso, pois é minha técnica predileta para espantar todos os tipos de males, sobretudo, os da Alma.
Conheci Gabriel Musse (seu trabalho) há alguns anos, num Show no Centro Espírita Claudionor de Carvalho. A Casa ainda estava em cimento cru e algumas “gambiarras” levaram a sonorização ao público. Gabriel, com a generosidade de um Arcanjo, nos abraçou a todos naquela ocasião, parabenizando-nos pelo novo domicílio. Eis que enfim, a Sede havia sido inaugurada.
Os povos indígenas tinham a convicção de que o canto curava (cura). Ainda hoje encontramos quem se habilite a ser curado através dessa “técnica”. Lévi-Strauss , antropólogo renomado, escreveu um artigo muito bom cujo título é:
"A eficácia simbólica". Há outro trabalho muito interessante que se chama "A eficácia simbólica" revisitada. Cantos de cura ayoreo”.
Dr. Claudionor é um Espírito que admira a Arte. Sabe o que nos impulsiona para o bom caminho e, a Arte tem esse poder: o de nos reabilitar as emoções e os sentimentos.
Embalados estávamos todos na afirmação de que “renascerá aquele que acreditar no Amor (...) quando não tiver mais alegria, lembra que um dia bem melhor irá chegar/ você vai ver que o poder do Amor apaga a dor”.
Ainda na Dimensão da Cura, Nazaré me abraçou. Deixe-me explicar... Nazaré é o sobrenome de uma irmã trabalhadora da Casa. Em meio a tantos abraços curados, consegui rever no rosto dessa amiga uma professora de Literatura que tive no Segundo Ano de Letras (sempre misturo Literatura à cura...).
Brinquei com Nazaré sobre o assunto e, sorrindo me disse que experimentou a mesma sensação de paz e amor e equilíbrio e cura, com relação à voz de Gabriel Musse. Abraçadas conversamos sobre o tema “vozes que curam”. Concordamos que a voz de Gabriel faz com que acessemos um Portal de Tratamento Espiritual a partir da Música. Isso acontece com muitos cantores de Deus e sabemos que existem muitos por essa Gleba Divina.
Domingo, 28 de Setembro de 2014, pela manhã, Gabriel esteve novamente no CECC. Agora, a Casa estava alegre e comemorando o Aniversário do CECC e a construção de três novas salas, além do Ambulatório Chavina Viana.
Hoje o chão de Nossa Casa (CECC) está em cerâmica e as paredes estão pintadas. A construção maior, no entanto, lembrou-nos Musse, está no íntimo.
Nesse ponto do Show (da cura?) no Café da Manhã, Gabriel nos abençoou com uma Canção Inédita; num instante de passe coletivo e individual, através das ondas sonoras cheias de harmonia de sua ária. Música cura, e Gabriel Musse, em minha pueril opinião, é a voz que cura cantando e/ou canta curando.

Solineide Maria de Oliveira
Poetisa
Escritora
Professora

Consultas:
http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/90552/maria-de-lourdes-sekeff-zampronha/ http://livraria.folha.com.br/livros/ciencias-humanas/claude-levi-strauss/6442 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-77012006000100012&script=sci_arttext

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O AMOR EXISTE (e tem cabelos brancos)

O amor é uma senhora de cabelos brancos. Tem mais ou menos 75 anos de idade. E tem um filho também de cabelos alvos. De mais ou menos 50 anos de idade. 
O amor, essa senhora de cabelos alvos, leva seu filho ao médico todos os meses, para saber se está bem. É um espírito que trouxe consigo a síndrome de down. 
O amor, essa senhorinha de cabelos muito claros, sabe atender o celular. O amor aprendeu a usar essa tecnologia ultramoderna (modelo moderníssimo) por causa do filho: para agendar consultas, para ser avisada de algo quando está ausente (em casos raros), para saber dele na escola... 
Ela me confessou porque brinquei que o meu celular não tem whatsapp. Isso foi quando nos despedimos e ela quis meu whatsapp... (rsrs) Trocamos, apenas, os números dos celulares. E começamos a conversar porque ela me viu com os olhos mareados, observando seu cuidado com aquele “filhomem”. Nesse momento, ela me deu um riso e perguntou: “Você tem filhos”? Respondi maneando a cabeça que sim. Ela retrucou: “então sabe o que é amar”. E disse-lhe com a voz embargada que sim... 
Mas meu amor materno foi mais simples. Tenho uma mocinha de 16, dentro do que se pode dizer que seja um ser saudável. Tem todo o corpo funcionando bem e tem suas funções neurológicas em dia. Amar assim é mais fácil... Concluí minha “tese” de passageira de ônibus urbano... 
Aquele amor de cabelos límpidos me disse que muito pelo contrário. Amar um filho como o dela é muito mais simples ainda... E continuou: “Porque amá-lo vem da constatação mais do que óbvia de que você foi preparada para amá-lo”. “Olha que bonito” selou sua fala... E sorriu e me lançou sua mão. 
Sentamos emparelhadas: eu, de um lado do corredor do ônibus, e ela, do lado oposto com seu “filhomem”. Quando me perguntou o que estava lendo, dei-me conta de que havia parado a leitura de um belo livro (a história dela me comoveu mais). Dei-lhe o título e ela anotou no big celular, o título da obra. Confessou-me ser leitora. Disse-lhe que podia emprestar-lhe. Trocados os telefones, resta-me colocar crédito e ligar para o amor, que tem cabelos quase transparentes (de tão claros) e que existe. 

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA 11-07-14

CARROTERAPIA SOBRE A MULHER

O carro com fundo musical maravilhoso (Roupa Nova, Zizi e Tiziano Ferro)... Todos a postos. Boa noite pra lá e pra cá, saudações mis... “Acho Leninha tão bonita”! Disse para o amigo professor (marido da moça em questão). Ele, com olhos iluminados respondeu: “Ela é bonita por dentro também”... 
Claro que sim! A beleza tem dessas coisas; ela denuncia a beleza interior. Pode reparar, há pessoas com o padrão de beleza que a “sociedade” sugere, mas que de longe se pode perceber a “não boniteza” interior... Sobre isso, preste atenção num personagem com caráter péssimo. Para mim, mesmo o Gianechini se torna horrível! Pode ser até o Richard Gere... (rsrs) 
E é interessante como essas pessoas se tornam “feias”... Mas não julguemos... 
Quando voltávamos das aulas, um dos amigos disse que a mulher faz falta em casa. A mulher no sentido geral. Em sua opinião, ela é quem sempre foi a responsável pela “organização na sociedade”. Uma discussão foi gerada e, sua hipótese venceu. 
Sim, a mulher faz falta em casa... Pena que foi necessário que saísse para o Mercado de Trabalho. Uma voz ressoou: “não foi perda, mas foi perda”... Foi ganho pessoal para a mulher, mas houve perda na família sim. E aí entra a bonita declaração de amor do meu amigo (já posso chamá-lo assim) sobre sua esposa: “É tão bom tê-la em casa esperando por mim”. 
Para quem não ouviu o tom da voz do professor, a fala, sinceramente amorosa, como discorreu sobre a presença de sua mulher em sua vida, pode soar machista. Mas não foi o caso. Não é. Márcio se estendeu a dizer sobre a importância do gênero na vida de um lar, de uma cidade de um país. Do mundo inteiro. Lembrou sobre a maternidade e sua ENORME função doadora de tudo. Finalizou dizendo que é extremamente feliz por ter “decidido amá-la”. “O amor é uma decisão”, discorreu. Depois do “encantamento” do encontro ou reencontro, há o dia a dia; nesse itinerário é que se vai decidindo amar, apesar de. Todos nós temos nossos “defeitos” e, por isso é que decidir ficar e ficar e envelhecer com aquele (a) por quem nos enamoramos, é uma questão de disposição. 
Concordâncias e discordâncias não eram importantes em nosso bate papo tão agradável. Ouvir um homem falar bem das mulheres e falar amorosamente sobre sua mulher e todas as outras mulheres é inspirador. 
Um papo sem pretensões acadêmicas e um punhado de gente franca e gentil tem me acompanhado durante esses meses. Graças a Deus! 
E o que para mim importou sobremaneira no papo em questão, foi perceber a generosidade do olhar de um homem para com “sua mulher” e para com as mulheres em geral. 

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA 26-08-2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O BRASIL É VIOLENTO COM OS PROFESSORES

O Brasil é violento com os professores. Vilipendia, deixa morrer esperando a aposentadoria, deixa o aluno espancar (e até matar). 
O Brasil não entende que se continuar tratando mal os professores não vai aprender nada! E nem vai “repetir de ano” porque não se pode mais. De modo que vai ficar repetindo suas imensas falhas na educação! 
O Brasil não quer ficar educado. Talvez porque povo educado não assiste TV tendenciosa, não ouve Programa que deseduca e não gosta de preencher com o vazio, longas tardes de domingo. 
O Brasil está em PRIMEIRO lugar no ranking da violência contra os professores... Nenhuma novidade! Enquanto a SOCIEDADE não entender que a ESCOLA é a SOCIEDADE e que se está como se apresenta há algumas décadas por culpa dela mesma (que se desvincula da responsabilidade com a escola)... Nada a fazer... 
É na escola que se encontram os cidadãos em formação. Ou aqueles que já estão deformados pelos pais. Pais, que certamente vieram de escolas que já se encontravam deformadas pela sociedade que não dá respaldo ao professor! 
O professor (COITADO) faz o que não pode! Arruma-se como pode e pega seu ônibus (lotado) e vai para a sala de aula e ministra suas aulas sem poder olhar nos olhos de muitos dos alunos que lá se encontram, porque são cidadãos formados no crime, com apenas 13, 14, 15, 16, 17 anos de idade... O professor (COITADO) recorre à Poesia... Recorre à Estilística, Recorre a Paulo Freire, Bakhtin, recorre às Parábolas... O professor está desesperado! 
A professora ouviu da mãe de um aluno, que "só tinha 5 minutos para falar sobre ele" (seu filho...). DETALHE: ela havia passado a manhã toda num lugar onde se arruma cabelo e unhas e onde se faz depilação (inclusive total) e onde se faz massagem e o mais... 
A professora (coitada) é quem enfia os pés na bacia aos sábados e cavuca suas próprias unhas... Ela também é quem arruma sua pele e cabelos. 
A professora estava preocupada porque o filho daquela mãe estava no oitavo ano e escrevia avião com “am” no final (dentre outras palavras). Mas isso se conserta: o que não se poderia esperar era a grande dificuldade do aluno em questão de ENTENDER o que lia. 
O próprio aluno pediu socorro à professora. E a professora precisava da ajuda da família. E a família era a mãe (essa mãe...) e um pai que era promotor não sei onde... 
Na escola pública, o problema é de ausências maternais e paternais também... O que agrava tudo são as ausências materiais: pão, leite, café, carne, roupa, sapato, dinheiro para a condução e para a condução da vida. 
O Brasil não aprendeu a estudar! Nem quer aprender, parece... 
Os professores no Brasil são, de fato, “sofressores”... E nem precisa de uma Pesquisa Científica para a comprovação de tal hipótese... Necessário, apenas, olhar e ver. 

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA é poetisa, escritora e professora.

29-08-2014

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

GOSTATIVIDADE

É preciso gostatividade
para encarar a adversidade!
Para aprender uma Língua,
para enfrentar nossa transformação...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Desistência

Hoje seria interessante não sair.
Ficar em casa e ler,
ler,
ler.
E escrever horas a fio,
sem ter de arrumar pastas
e cadernos.
Ler para os outros para quê?
Ninguém quer ler,
ninguém quer escrever,
ninguém quer SER,
ninguém quer SABER...


Solineide Maria

sábado, 21 de junho de 2014

O verso é o reverso das coisas de dentro...

SOLINEIDE MARIA

O DIÁRIO DE UMA VIRGEM LOUCA (folha 9)

Um poeta comum escreve coisas sobre a vida comum.
Não escreve sobre as doideiras da Mente? Certo?
Errado!
Hoje um poeta comum me disse que coisas pequenas são muito grandes...
E que se você reparar bem, as coisas grandes são um emaranhado de pequenas coisas.
E que a vida começa aos 40.
E que sexo por sexo esvai a energia da pessoa.
E que amor sem sexo é uma grande maravilha, porque prova que é amor mesmo.
E que se um dia você fica triste e a pessoa que está ao lado fica triste junto; é sinal de que ela te ama do mais profundo de sua alma...
E que se a palavra não basta numa discussão, melhor silenciar.
E que se há muita discussão e não diálogo, melhor nem começar a próxima...
Olha... Esses poetas comuns são EXTRAORDINÁRIOS!
Agosto de 2003.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA




sexta-feira, 20 de junho de 2014

SOLICITAÇÃO PARA SER MATERIAL DE USO E DESUSO

Senhor,
quero ser seu travesseiro,
sua toalha de mão,
sua sandália,
seu cantil de água,
sua caneca de barro.
Quero ser o que possa servir
para uso
ou desuso.
Você é quem sabe Senhor,
para que sirvo...
E quero ser um pano de chão
para secar a sola de suas sandálias.
Deixa que eu seja Senhor
o prato para acolher seu alimento Divino.
Deixa que sirva para além daquilo
que me alisto.
E se não tiver nenhuma serventia Pai,
deixa que eu seja o último a ser dispensado
para ver se dará tempo de o Senhor
ver se me utiliza em algo...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
(Em homenagem àquela história de Oscho, onde o peregrino apenas dizia, em prece: "Deus me deixa catar seus piolhos"...)
Brasil, Copa do Mundo, 20-06-2014

MINHA MELHOR MANEIRA DE REZAR

Acho que converso com
bem melhor
com Deus escrevendo...

É uma maneira de rezar.
Escrevo uns versos,
apago outros...
Depois revejo o que escrevi.

Claro que tem participações especiais
do Astral,
porque palavras são mini aparelhos
para nos servirem...

E são para o bem ou para o mal
de nosso astral íntimo (e dos outros)
Por isso devemos pronunciar o MÍNIMO
de palavras "baixo astral".

E claro que as palavras são para
o alto astral de todos nós,
mas a CONTEMPORANEIDADE
está a fazer um mal uso danado delas...

Por isso não temos mais quem nos ouça...
Todos querem falar,
falar,
falar...

Não quero ser Palestrante Senhor,
quero ser OUVINTE.
E quero falar o mínimo possível...
O mínimo possível...
Até um dia ser digna de falar
(e entender) uma única palavra:
AMOR.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
(Copa do Mundo, 20-06-2014)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

BETE ESCONDE O ÓBVIO...

Uma vez a Bete estava triste. Triste mesmo. 
Era assim uma tristeza oriunda de muitos acontecimentos tristinhos. Tristinhos que só vendo.
Uma pessoa disse para Bete que aquela tristeza ia acabar deixando-a doente. Mas Bete disse que a tristeza é, já, uma espécie de doença. 
A pessoa insistiu que ela poderia entristecer-se até ficar doente fisicamente. Bete não respondeu nada. 
Sabe por quê Bete não respondeu nada? Porque só se explica o óbvio da dor da gente, àquele que está interessado em ajudar...

SOLINEIDE MARIA

O SILÊNCIO É LINGUAGEM...

Quando você não tiver nada para falar...
Não fale nada.

Solineide Maria

Companhia da palavra

Um dia a palavra estava tristinha,
aí chegou um companheiro
e se encostou nela.
Chamava-se reticencias...


(Solineide Maria)

Desejos oriundos da pós leitura de um Manual Prático...

Gostaria de ser muito técnica,
muito.
Daí conseguiria ser muito prática,
muito.
Depois seria muito objetiva,
muito.
E, talvez, atingisse a perfeição:
ser o menos humana possível.

Solineide Maria

Pequenas estrofes para Aldous Huxley

Queria pegar carona num vento
que me levasse para a esquina de mim
e me empurrasse para dentro.

Solineide Maria

domingo, 1 de junho de 2014

O PERIGO DE SABER LER

As palavras indicam.
Nessas horas,
não é lá muito bom
saber ver num código
arrumado em vocábulo,
o que o outro não disse,
mas quis dizer.
Nessas horas
é um pouco triste
saber ler...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014

sábado, 31 de maio de 2014

Como se fosse uma historinha de criança

A Luz olhou para a Sombra e disse:
_ Vem comigo, preciso de sua ajuda. Auxilia-me na dignificação do homem, ele precisa perceber onde há paz e onde há tristeza. Onde há pão e onde sobra fome... Vem comigo amiga educadora, faz de ti uma professora sobre asperezas. 
A Sombra pensou um pouco e muito insegura respondeu: 
_ Tu pensas que poderei ser útil?
_ Claro! Respondeu apressada, a Luz à amiga "educadora". 
A Sombra então pegou suas melhores vestes (cinza médio, cinza escuro e cinza-grafite) e colocou em sua maleta de viagem (cinza-cinza). 
Fez um "sinal da cruz" e fechou a porta da ociosidade. 
A Luz disse à amiga: 
_ Não temas, estarei do teu lado. Em qualquer situação de dúvida me chame. 
As duas, então, partiram para Missão de Aclarar as Consciências Humanas... 

(Solineide Maria) Maio de 2014 - 22:50.
Chegando em casa após Semaninha Espírita (em Itabuna-Bahia).

Papo Coragem...

Uma coisa é necessária: CORAGEM.
Coragem de ir na lama de nossa alma e arrastar de lá todas as algas preguiçosas.
Alias, ALMA é um anagrama interessante: as letras, rearranjadas de outra forma, pode formar a palavra LAMA. Já repararam?
Então essa seria uma proposta que se diz no próprio vocábulo que dá nome ao espírito encarnado.
Olha... Tenho umas lamas bem antigas. Umas que estão me olhando faztempo.
Elas sabem que chegou a hora de se transformarem em monturos fora de mim.
Elas sabem que ficarão lá na margem, secando ao sol. O sol da fecundidade.
Elas sabem que sofrerão outro efeito interessante da Natureza... Virarão novamente coisa que fecunda. Vão fecundar o terreno espiritual ao redor de minha alma.
Ter coragem é corar a alma.
Outro aliás: se a gente arruma a palavra coragem de outro jeito, vai aparecer a palavra COR e o sufixo AGEM. Então, podemos supor que ter coragem tem a ver com corar nossa vontade e ir para a aragem de nós mesmos...
Cor é para os que agem?
Puxa. Hoje estou tão filosófica. (rsrs)
Mas é verdade! Ou parece. E veja que interessante, quando agimos com determinação, parece, há uma cor diferente em nosso rosto, talvez ela advenha da alma que sente a alegria de estar com a cor da aragem.
Que tenhamos CORAGEM então.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

DESEJUM COM A SAUDADE

A saudade acordou descompassada...
Olhou-se no espelho e disse:
"Estou com cara de pasta amassada".
A moça sorriu dela.
Depois,
a saudade tomou café com a moça
(que tem mãos pequenas)...
Ela disse que iria ficar em casa,
lendo o livro de Florbela,
para se aplicar melhor em
"maneiras de fazer os amantes
sofrerem por ausências"
(curtas ou longas).
E deu uma risadinha sarcástica...
A moça ficou calada:
levantou e foi escovar os dentes.
Ela gritou do quarto:
"Hoje não vou perturbar muito você".
A moça sorriu baixinho,
trancou a porta e saiu
para o trabalho.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014
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PRECE PARA OBTER ALGUMA UTILIDADE

Deus meu Pai... 
Ajuda-me a ser nada... 
Nadinha de nada, 
para, 
então, 
ser alguma coisa... 
Sua Benção... 
Boa noite... 


SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014.

sábado, 17 de maio de 2014

A PRECE TEM PODER

 O peso das bolsas nem tanto incomodava Bete. O que mais a incomodava eram as "provações"... 
 Ultimamente Bete vinha atravessando muitas "provações", mas tudo é aprendizado... Então... O ônibus apareceu e Bete estava do outro lado da rua. Seu desespero foi tão grande, que se esqueceu de que as ruas devem ser atravessadas com cuidado. Quase fora atropelada. 

Descabelada e ofegante conseguiu chegar até o ônibus, mas ele arrastou rapidamente. Bete ainda sentiu aquela fumaça traseira atrapalhar a respiração, que já estava dificultada por conta da corrida. Nada a fazer a não ser esperar outra condução... 
Enquanto esperava, organizava a agenda. "Puxa, que cansaço", pensou Bete... "E ainda é quarta-feira"... Concluiu seu pensamento levantando-se apressada porque avistara outro ônibus. 

Como é que uma pessoa se alegra com a visão de um transporte público "em frangalhos"? Bete conseguiu se alegrar e, pasme, até sorriu. Entrou e sentou-se ali mesmo, na frente (antes de atravessar a roleta). A "marinete" estava lotada... Mas tudo bem sentar-se era um luxo e ela havia conseguido tal feito. 

Ajeitava-se ainda, quando uma senhora lhe olhou com "intenção de assassiná-la". Tratava-se de uma idosa de cabelos tingidos de louro e uma minissaia muito "mini" mesmo. Bete pensou: "nessa hora ela quer ser idosa"... Bete, que é muito honesta e cidadã, levantou-se e ofereceu o lugar àquela "idosa de ocasião"... Melhor atravessar a catraca. Atravessou e conseguiu um cantinho protegido naquela "lotação lotada"... 

Mais um ponto se passa e Bete consegue sentar-se. Ao seu lado vem sentar-se uma senhora negra, com três dentes na boca, muito suada e mais ofegante do que ela quando conseguiu adentrar no ônibus. Carregava um bolo de fubá na mão esquerda e uma "fanta" genérica na outra mão. A mulher pergunta à Bete se aquele ônibus passava no presídio... “Que presídio”? Ah sim... Havia um presídio na cidade... Bete respondeu que não sabia. A cidadã então pergunta ao cobrador, no que este responde que parava perto, pois aquele transporte fazia o itinerário "Via Urbis IV". 

A mulher começou a conversar com Bete. Primeiro, se disse aliviada de aquele ônibus parar perto do Conjunto Penal, porque seu filho estava lá e na semana anterior não pode ir visitá-lo. Bete oute tudo atenta e calada. Depois de um minuto aquela mãe pergunta para Bete se ela queria um pedaço de pão com mortadela (sacando o alimento de uma sacolinha plástica). Bete recusa e agradece. Durante o itinerário, a mulher conta como seu filho fora detido: "Olha moça, perdi uma filha mulher por causa de um marido ciumento e meu filho mais velho perdi para as drogas, mas Deus prendeu esse mais novo pra mim lá na cadeia. Pedi tanto uma providência que Ele agiu. Foi mesmo sabe fia. Ali eu vi que a prece tem poder". 

Bete ouvia aquela irmã, com uma emoção sem conta... Como é que quase se queixava para Deus há instantes atrás por causa do atraso de um ônibus? Aquela mãe muito linda em amor continuou: 
“foi numa sexta-feira de noite, teve tiroteio e meu fio estava nessa vida, eu sabia moça... Mãe sabe né? Aí me contaram que o pessoal do lado de lá iam na favela pegar os de cá, meu fio na rua, tarde da noite. Ajoelhei no chão e pedi para Deus me ajudar. Para Ele não deixar eu perder meu fio mais novo para as droga também”.

"Sou mesmo homem de pouca fé" pensou Bete com seus botões... 
Sorridente, aquela heroína disse que não foi visitar o filho porque conseguiu outra faxina e não queria perder no primeiro dia: 
"A muié marcou para o dia de visitar meu fio, eu não podia perder esse dinheirinho né dona"? Dona era Bete e Bete concordou... 

“Dona do quê”... Bete pensou... "Dona de uma fé ainda bruxuleante? De uma fé anêmica? "Ai amiga... Dona de umas faltas persistentes"?... O ponto de Bete chegou. A mulher levanta-se e auxilia Bete em sua saída. 
Aquela mãe agradece ainda sorridente a conversa matutina com Bete. A heroína anônima deseja que Bete tenha bom dia e dê boas aulas e lhe abençoa: 
"Deus lhe acompanhe". Bete responde "amém" e diz para aquela mãe honrada que tudo vai acabar bem. Que seu filho logo será solto, pois Deus sabe de todas as coisas e se ele tiver bom comportamento sai mais rápido. A mulher sorriu um sorriso cheio de alegria e abraçou Bete... Transbordante, disse que Deus havia de ouvir aquelas palavras. 

Bete, muito emocionada, precisou sentar-se um pouco no banco maltratado do ponto de ônibus próximo à escola maltratada do bairro periférico, também maltratado, que iria ministrar as aulas da manhã e fez uma prece, pedindo que Deus a perdoasse pela ingratidão de reclamar por nada e agradeceu mais uma lição de vida, dessas que Ele envia para ela, ainda que não tenha merecimento... 

(13-05-14)

sábado, 19 de abril de 2014

História de um amor

Ela morou em Roma,
renasceu na Espanha.
Foi Duquesa,
depois foi cortesã...
Foi escrava negra,
foi branca e pobre,
foi homem 
umas vinte encarnações,
mas sempre foi melhor
como mulher.
Foi para o Brasil,
nasceu poetisa
está professora.
Acredita em Deus 
e na Doutrina Espírita.
Ele nasceu mago,
nasceu homem ruim,
foi até das Cruzadas.
Foi um general
bastante "empolgado"
nas coisas de espada.
Foi leitor de cartas,
foi homem galante,
e pegava todas...
Foi homem de muitas,
de muitas,
de várias mulheres
ao mesmo tempo.
Mas nunca amou...
Encontrou numa taberna
uma dançarina triste e
se apaixonou.
Naquela época, ele era
um pobre escritor...
Os dois resolveram morar
bem juntinhos,
mas ele a deixou
por uma loura burguesa...
Ela se matou
de tristeza.
Hoje ele é homem bom,
espiritualizado,
pode ser doutor
(se quiser),
mas prefere ser bom,
cada vez melhor.
Reencontraram-se,
os dois!
Estão já casados,
mas querem casar-se
novamente.
E querem casar-se
novamente,
quantas encarnações
mais,
experimentarem.

SOLINEIDE MARIA

domingo, 13 de abril de 2014

SIM

Aceito casar:
com um vestido simples
e um sapatinho
bem simples também.

Aceito casar:
nas mãos um chumaço
de flores campestres.

Aceito casar:
numa Igreja simples.
A festa será simples também.

Seu terno amor,
será muito simples
feito meu vestido.

Os nossos amigos
poderão ir trajados
de roupa de ir à Missa.

E quando acabar a Cerimônia
todos poderão dançar a Valsa
sem cerimônia.

Vai ter uma convidada especial
de tão especial, de tão especial,
é muito simples: a Sra. Poesia.

E o Sr. Amor, o anfitrião,
terá a companhia de Nosso Senhor.
Estarão os dois, na mesa central.


Para meu amor. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

BANHO DE AMOR

A mãe catou umas folhas,
e muito apressada,
fez uma infusão com elas.
Chamou por Deus e por Nossa Senhora.
Depois disse para a filha:
"Tenha fé, isso tudo vai passar".
Ainda rezando firme,
deu banho em sua filha.
Chorou com ela, também,
pois a pele lhe ardia.
As mães sentem o que os filhos sentem,
é coisa que vem de Maria...
Depois, passou um unguento
onde ainda havia ardor
na pele de sua filha.
E encerrou seu clamor:
"valei por minha filha Nosso Senhor,
São Lázaro, São Benedito, 
Nossa Senhora de Fátima,
Santa Maria Goretti, Anjos e Arcanjos todos
valei-me Deus Pai Todo Poderoso
com a permissão da cura em minha filha
meu Senhor".
A filha foi soluçando mais baixinho,
a irmã também lhe deu muito carinho,
e a toalha colocada em suas costas
selou aquele IMENSO GESTO DE AMOR.

Para minha mãe!
Com carinho também, para minha irmã.
Solineide Maria de Oliveira
08-04-14