segunda-feira, 27 de setembro de 2010

NAMORANDO COM LAMBRETAS

Ele compra e limpa e borda amor nelas.
Faz uma assepsia que dá jeito de ver
até, a alma delas.


Elas ficam assim,
luzindo a paz de ser alimento
e momento de sentar
e olhar aqueles olhos...


Faz o sacrifício de apanhar
uma por uma:
essa sim, essa não,
essa sim, essa...

Vai separando e pensando:
"vai ficar uma delícia".

Eu apenas corto os temperos.
E de vez em quando
esbarro minhas mãos nas dele.

Ele arruma todos eles (os temperos) nelas,
eu olhando o carinho ali,
materializado em forma de mãos de homem.

Ele faz um molho especial,
desses que não se encontra,
desses que não se passa a receita.

Toda vez fica melhor,
toda vez é inédito.
Eu apenas corto os temperos...

Ele salta de alegria com aquele olhar:
"e aí? Está bom"?
Eu respondo que sempre está bom,
e que cada vez melhora.

Ele ri e diz: "se você diz, acredito".
A gente se olha e se fala sem palavras:
é tão bom dividir lambretas com você.

O amor bordado nas lambretas
vira namoro.
A gente conversa, ri, saboreia,
sabota dores,

dissabores cotidianos,
a falta de paz do mundo,
e segue feliz.

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